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terça-feira, fevereiro 18, 2014

Mudar para melhor

Estava fazendo o mesmo caminho que faço há três anos e meio de casa para o trabalho. Parei num cruzamento e vi um sobrado todo sujo de fuligem. Pensei logo num incêndio. Vi que a destruição ia pelos fios de eletricidade da rua, passava pela placa da parada de ônibus bem diante da casa e, finalmente, vi o asfalto corroído pelo fogo. Não foi uma fatalidade, foi intencional.

Há meses ouvia falar de atos assim no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Há uma semana, eles viraram manchete nos jornais locais. No entanto, agora, tudo havia ficado real. Estava diante de um bairro onde cresci, de uma rua pela qual passei milhares de vezes, de uma casa que quantas vezes vi sem realmente enxergar. Não era notícia na TV. Era um pedaço da minha realidade, da minha vida. Não era simplesmente um ônibus ou fios de eletricidade ou uma placa de metal. Era uma casa, eram pessoas, era uma família. Não sei a extensão do dano, mas por menor que tenha sido materialmente, duvido que o seja psicologicamente.

Deu um embrulho no estômago e a pergunta veio à cabeça: De onde veio tanta intolerância? Dizem por aí que veio da urgência por mudança. Esquecem, talvez, que somos seres em constante mudança. Mudamos a cada instante mesmo sem quer. Estamos mudando, sim. Só não sei em quê nos tornaremos. Talvez a urgência não seja de mudar. Talvez estejamos bem onde estamos. Talvez só precisamos ser. Ser mais nós mesmos. Ser mais humanos. Ser melhores.



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