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sexta-feira, novembro 22, 2013

Primeiros parágrafos

Às vezes fico imaginando como um autor chega àquela frase, àquele parágrafo que dará início ao seu livro. Se eu fico perdida num post de blog... Enfim, essas primeiras palavras dão o tom. Elas podem capturar instantaneamente o leitor ou não. Fazê-lo crer ou duvidar. Instigar ou entregar. Eu amo primeiros parágrafos, e você?

"«Barrabás chegou à família por via marítima», anotou a menina Clara com a sua delicada caligrafia. Já nessa altura tinha o hábito de escrever as coisas importantes e, mais tarde, quando ficou muda, escrevia também as trivialidades, sem suspeitar que cinquenta anos depois os seus cadernos me iriam servir para resgatar a memória do passado e sobreviver ao meu próprio espanto. O dia em que chegou Barrabás era Quinta-Feira Santa."
[A casa dos espíritos, por Isabel Allende]

"Aquela ultima vez.
Aquele céu vermelho...
Como é que uma menina que rouba livros acaba ajoelhada, soltando uivos e ladeada por um monte de entulho ridículo, gordurento, inventado, feito pelo homem?
Anos antes, o começo foi a neve.
Tinha chegado a hora. Para um."
[A menina que roubava livros, por Markus Zusak]

"É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de esposa."
[Orgulho e Preconceito, por Jane Austen]

"No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5 e 30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava uma mata de figueiras-bravas, onde caía uma chuva miúda e branda, e por instantes foi feliz no sono, mas ao acordar sentiu-se todo borrado de caca de pássaros. "Sonhava sempre com árvores", disse-me a mãe, Plácida Linero, recordando vinte e sete anos depois os pormenores daquela segunda-feira ingrata. "Na semana anterior tinha sonhado que ia sozinho num avião de papel de estanho que voava sem tropeçar por entre as amendoeiras", disse-me. Tinha uma reputação bastante bem ganha de intérprete certeira dos sonhos alheios, desde que lhos contassem em jejum, mas não descobrira qualquer augúrio aziago nesses dois sonhos do filho, nem nos restantes sonhos com árvores que ele lhe contara nas manhãs que precederam a sua morte."
[Crônica de uma morte anunciada, por Gabriel García Márquez]

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