Previsível o resultado de ontem: o Corinthias caiu para a Segunda Divisão do futebol brasileiro. Apesar da imensa comoção dos torcedores, estou certa de que a Série B trará muitas coisas boas à equipe, porque lá, tem que jogar mesmo, tem que ter entrega, tem que mostrar a que veio. Lá, são todos brigando pra subir e não como na primeira divisão em que apenas seis equpes têm reais chances de ser campeã, enquanto que o restante segue apenas lutando pra não cair.
Vários times já passaram por essa experiência: Botagofo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e até o meu Fortaleza (hehe). Nenhum deles morreu. Pelo contrário, como fênix ressurgiram das cinzas mais fortes e maduros. Espero que o Corinthians, como time de grande tradição, saiba aproveitar essa oportundiade e reverter a crise.
Vários times já passaram por essa experiência: Botagofo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras e até o meu Fortaleza (hehe). Nenhum deles morreu. Pelo contrário, como fênix ressurgiram das cinzas mais fortes e maduros. Espero que o Corinthians, como time de grande tradição, saiba aproveitar essa oportundiade e reverter a crise.
O Ceará vai ficar mais perto de Cabo Verde. De hoje até quinta-feira, o país africano vai mostrar um pouco de sua cultura na Feira do Livro Cabo Verde/Brasil, que ocorre no Centro Dragão do Mar. Abaixo, informações retiradas do site do Dragão do Mar:
Atualmente, a literatura brasileira se distancia de sua herança européia e intensifica o diálogo com aquelas produzidas na América Latina e nos países de língua portuguesa. Em sintonia com esta tendência, será realizado em Fortaleza a Feira do Livro de Cabo Verde: Claridade na Terra da Luz. O evento acontece entre os dias 27 e 29 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
[...] A Feira pretende estabelecer pontes entre os dois países, que partilham um passado de colonização portuguesa e uma formação cultural a base de elementos de origens diversas, como o africano e o europeu.
A programação da Feira do Livro de Cabo Verde inclui palestras e exibição de documentários, tendo por tema a cultura caboverdiana. No local, serão comercializados livros de autores de Cabo Verde, como parte de um projeto que visa promover um maior intercâmbio entre a literatura dos dois países.
[...]
Serviço: Feira do Livro de Cabo Verde: Claridade na Terra da Luz – de 27 a 29 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema). Gratuito. Mais informações: (85) 3488-8600
Atualmente, a literatura brasileira se distancia de sua herança européia e intensifica o diálogo com aquelas produzidas na América Latina e nos países de língua portuguesa. Em sintonia com esta tendência, será realizado em Fortaleza a Feira do Livro de Cabo Verde: Claridade na Terra da Luz. O evento acontece entre os dias 27 e 29 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
[...] A Feira pretende estabelecer pontes entre os dois países, que partilham um passado de colonização portuguesa e uma formação cultural a base de elementos de origens diversas, como o africano e o europeu.
A programação da Feira do Livro de Cabo Verde inclui palestras e exibição de documentários, tendo por tema a cultura caboverdiana. No local, serão comercializados livros de autores de Cabo Verde, como parte de um projeto que visa promover um maior intercâmbio entre a literatura dos dois países.
[...]
Serviço: Feira do Livro de Cabo Verde: Claridade na Terra da Luz – de 27 a 29 de novembro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema). Gratuito. Mais informações: (85) 3488-8600
Li essa poesia há algum tempo. Encantei-me e, por isso, a guardei. Estava mexendo nos meus arquivos no computador, quando a encontrei e decidi compartilha-la aqui. É um poema de Pablo Neruda, que nos lembra que viver exige mais do que o simples ato de respirar.
¿Quién muere?
[Pablo Neruda]
Muere lentamente...
quien se transforma en esclavo del hábito,
repitiendo todos los días los mismos trayectos,
quien no cambia de marca,
no arriesga vestir un color nuevo
y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente...
quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente...
quien evita una pasión,
quien prefiere el negro sobre blanco y los puntos sobre las íes
a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente...
quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo,
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño,
quien no se permite por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.
Muere lentamente...
quien no viaja,
quien no lee, quien no oye música,
quien no encuentra gracia en sí mismo.
Muere lentamente...
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente...
quien pasa los días quejándose de su mala suerte
o de la lluvia incesante.
Muere lentamente...
quien abandona un proyecto antes de iniciarlo,
no pregunta de un asunto que desconoce
o no responde cuando le indagan sobre algo que sabe.
Evitemos la muerte en suaves cuotas,
recordando siempre que estar vivo
exige un esfuerzo mucho mayor
que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.
¿Quién muere?
[Pablo Neruda]
Muere lentamente...
quien se transforma en esclavo del hábito,
repitiendo todos los días los mismos trayectos,
quien no cambia de marca,
no arriesga vestir un color nuevo
y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente...
quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente...
quien evita una pasión,
quien prefiere el negro sobre blanco y los puntos sobre las íes
a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente...
quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo,
quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño,
quien no se permite por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.
Muere lentamente...
quien no viaja,
quien no lee, quien no oye música,
quien no encuentra gracia en sí mismo.
Muere lentamente...
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.
Muere lentamente...
quien pasa los días quejándose de su mala suerte
o de la lluvia incesante.
Muere lentamente...
quien abandona un proyecto antes de iniciarlo,
no pregunta de un asunto que desconoce
o no responde cuando le indagan sobre algo que sabe.
Evitemos la muerte en suaves cuotas,
recordando siempre que estar vivo
exige un esfuerzo mucho mayor
que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.
Devo admitir que até ver as adaptações de Daniel Dantas para o Fantástico, não conhecia Nelson Rodrigues. Para me redimir, comecei a leitura de "A vida como ela é", do famoso dramaturgo brasileiro, que para minha alegria também foi jornalista, além de filho de jornalista.
Nelson passou sua adolescência nas redações e essa experiência lhe fez um dia dizer: "Hoje, uma redação é essa massa de máquinas e redatores batendo. Ficam batendo à máquina no meio daquele barulho. De vez em quando alguém conta uma piada e, logo em seguida, recomeça o barulho. Ninguém pensa."
**** Imagina o que ele diria se as visse hoje???????
Nelson passou sua adolescência nas redações e essa experiência lhe fez um dia dizer: "Hoje, uma redação é essa massa de máquinas e redatores batendo. Ficam batendo à máquina no meio daquele barulho. De vez em quando alguém conta uma piada e, logo em seguida, recomeça o barulho. Ninguém pensa."
**** Imagina o que ele diria se as visse hoje???????
Na noite de terça-feira começou a exposição de carros, motos e helicópteros em frente ao Centro de Convenções. Jornalistas brigavam por um espaço, flashes disparados a todo momento, políticos por todos os lados. Não, não era convenção de partido, nem show room de veículos. Era a preparação para o lançamento que aconteceria ontem, dia 21, do Projeto Piloto do "Ronda do Quarteirão", principal promessa de sua campanha do Governo Cid Gomes. Foi em clima de show, bem à vista de todos, que o excelentissimo Governador apresentou suas Hilux com computador de bordo, os uniformes assinados por Lino Villaventura e boinas trazidas da França...
Mas espetáculo político à parte, é claro que desejo que a segurança no Ceará melhore e não quero ser pessimista, então vamos deixar a ironia de lado e ir aos fatos: o programa batizado de ‘Monitoramento de Ações e Projetos Prioritários’ (Mapp), receberá um conjunto de investimentos em Segurança Pública e Justiça, na ordem de R$ 286,6 milhões, para realizações nos próximos dois anos.
Do total de recursos, R$ 122 milhões serão destinados à Segurança Pública e R$ 110 milhões à Secretaria de Justiça e Cidadania. Além da construção de novos prédios, presídios, delegacias, cadeias públicas, boa parte dos investimentos será utilizada na aquisição de novos equipamentos como armamento, viaturas, munição, e ainda, em melhorias na área de tecnologia.
Para quem quiser acompanhar o show de perto, confira a programação:
22/11 – Quinta-feira
9h30min – Centro / Praça do Ferreira (a confirmar)
20h – Jangurussu / Av. Val Paraíso entre a rua Olímpio Ribeiro e a rua Campinense
24/11 – Sábado
17h – Meireles (Praia de Iracema) / Igreja de São Pedro20h – Maracanaú / Av. 5 esquina com Rua 5 ao lado da Delegacia Metropolitana.
Mas espetáculo político à parte, é claro que desejo que a segurança no Ceará melhore e não quero ser pessimista, então vamos deixar a ironia de lado e ir aos fatos: o programa batizado de ‘Monitoramento de Ações e Projetos Prioritários’ (Mapp), receberá um conjunto de investimentos em Segurança Pública e Justiça, na ordem de R$ 286,6 milhões, para realizações nos próximos dois anos.
Do total de recursos, R$ 122 milhões serão destinados à Segurança Pública e R$ 110 milhões à Secretaria de Justiça e Cidadania. Além da construção de novos prédios, presídios, delegacias, cadeias públicas, boa parte dos investimentos será utilizada na aquisição de novos equipamentos como armamento, viaturas, munição, e ainda, em melhorias na área de tecnologia.
Para quem quiser acompanhar o show de perto, confira a programação:
22/11 – Quinta-feira
9h30min – Centro / Praça do Ferreira (a confirmar)
20h – Jangurussu / Av. Val Paraíso entre a rua Olímpio Ribeiro e a rua Campinense
24/11 – Sábado
17h – Meireles (Praia de Iracema) / Igreja de São Pedro20h – Maracanaú / Av. 5 esquina com Rua 5 ao lado da Delegacia Metropolitana.

Como dissemos aqui no blog, em entrevista à revista Caros Amigos, o jornalista Paulo Henrique Amorim disse que o Vesgo do Pânico tinha mais chance que o Serra em ser eleito presidente em 2010. E parece que o Rodrigo Scarpa, o Vesgo, está se animando. Já criou até slogan:
Vote Vesgo: Sandálias da humildade neles!
Segundo Vesgo publicou em seu blog, "Tenho 3 anos pra pensar... Quem sabe eu não aceito??? É uma possibilidade...E ao mesmo tempo uma loucura..."
Ainda bem que ele admite que é uma loucura, já basta o Clodovil como deputado federal e o Frank Aguiar como aspirante a Ministro.
Sai a tropicália e entra o "Cãozinho dos teclados". Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo de hoje, 14.10, o excelentíssimo deputado federal, Frank Aguiar, é cotado para substituir Gilberto Gil no Ministério da Cultura.
**** Estou tão chocada que não consigo nem dizer mais nada... Só rogo a Deus que seja brincadeira.
**** Estou tão chocada que não consigo nem dizer mais nada... Só rogo a Deus que seja brincadeira.
[Bebel Glberto]
Bem tanta coisa é tão escondida
Que você não quer nem mais lembrar
Quem sabe talvez só você queira
Tanto tanto esconder
Tudo vai terminar
Tudo era um tormento
Deixa isso tudo passar
Vem viver este momentodos momentos (4x)
Agora não tem mais
não tem mais nada que eu possa alcançar
Só dentro do meu peito
Eu quase paro
Eu não paro de me atormentar
Mas deixe isso tudo pra lá
Tudo era um momento
Deixe isso tudo lavar
Vem viver este momento
dos momentos (3x)
ah sim guarda (2x)
para sempre sempre sim
guarda (4x)
dos momentos
Tudo vai terminar
Tudo era um momento
Deixe isso tudo pra lá
Vem viver este momentos
dos momentos
Tem que reciclar (2x)
Deixe isso tudo pra lá (2x)
**** Canção que dá nome ao terceiro álbum de Bebel Gilberto, lançado em 2007. Nele, você encontra ritmos e estilos bastante diversificados, mas sempre com a marca da cantora que é autora ou co-autora de quase todas as faixas.
Quem quiser baixar o álbum. Ele está disponível aqui.
Bem tanta coisa é tão escondida
Que você não quer nem mais lembrar
Quem sabe talvez só você queira
Tanto tanto esconder
Tudo vai terminar
Tudo era um tormento
Deixa isso tudo passar
Vem viver este momentodos momentos (4x)
Agora não tem mais
não tem mais nada que eu possa alcançar
Só dentro do meu peito
Eu quase paro
Eu não paro de me atormentar
Mas deixe isso tudo pra lá
Tudo era um momento
Deixe isso tudo lavar
Vem viver este momento
dos momentos (3x)
ah sim guarda (2x)
para sempre sempre sim
guarda (4x)
dos momentos
Tudo vai terminar
Tudo era um momento
Deixe isso tudo pra lá
Vem viver este momentos
dos momentos
Tem que reciclar (2x)
Deixe isso tudo pra lá (2x)
**** Canção que dá nome ao terceiro álbum de Bebel Gilberto, lançado em 2007. Nele, você encontra ritmos e estilos bastante diversificados, mas sempre com a marca da cantora que é autora ou co-autora de quase todas as faixas.
Quem quiser baixar o álbum. Ele está disponível aqui.
Enquanto Hollywood sofre com a greve dos roteiristas, por aqui, no Ceará, a população tem que enfrentar a paralisação dos policiais civis desde o dia 1º de novembro e para arrematar, os médicos do município que atendem no Instituto Dr. José Frota, hospital referência no atendimento terciário da Região Norte/Nordeste, também cruzaram os braços por doze horas no dia de ontem.
***** É isso aí, cada qual com seu cada qual...
***** É isso aí, cada qual com seu cada qual...
Acabei com minhas pretenções de tornar-me uma escritora ainda na adolescência em uma das minhas tentativas de escrever um livro nas férias escolares. Desse modo, nem mesmo a redação do vestibular ousei fazer a narração. Optei pela dissertação que continuo empregando até hoje, afora os meus textos jornalísticos. Mas não pensem que isso deixou alguma espécie de trauma, muito pelo contrário, sei apreciar o valor dos leitores. Afinal, eles talvez sejam, a grosso modo, a finalidade da obra.
Tá, mas o fato é que ontem acordei com uma historinha na cabeça e decidi escrevê-la. Sai jogando as palavras para não perdê-las. Sei que não se deve tratar assim as palavras. Elas devem ser pensadas, buriladas, maturadas, mas não podia perder essa oportunidade de um lampejo criativo em minha mente.
Assim, divido com vocês o resultado e peço que perdoem-me qualquer falta grave, pois estou bem enferrujada nessas narrativas ficcionais.
*********************
Ela acordou num salto. Deve ter sonhado com isso. Estar no seu subconsciente. Agora não lembrava, mas persistia aquela idéia fixa. Correu para a cozinha. Abriu a geladeira, procurou e não encontrou. Foi até o armário, revirou tudo e também nada. O último lugar que restava procurar era a dispensa. Mexeu nos pacotes, nas latas, nas caixas... Tinha que estar em algum lugar.
Voltou ao quarto, pegou uma calça jeans e a camiseta que tinha usado no dia anterior. Jogou por cima do corpo e saiu para o supermercado. O coração saltava enquanto vistoriava prateleira por prateleira.
[Ahhhhhhh] O grito seco ficou preso na garganta. Ela continuou uns segundos parada, estática com o pacote de margarina na mão. Na embalagem dizia: “Mais saudável. 0% de gordura trans”.
Não podia ser. Há poucos meses, praticamente tudo que era consumido continha a tal da gordura trans. É certo que ninguém ou quase ninguém tinha conhecimento da sua existência, mas de repente estava em todos os jornais, em todos os programas de TV e foi revelado para toda a população: a gordura trans era a vilã da saúde e teria que ser riscada do mapa. Mas como assim? Tão rápido? De repente não há mais gordura trans no mundo? Para onde ela foi?
A dúvida a deixava inquieta, confusa, sentiu-se fragilizada. Os passos que a levaram até em casa foram pesados. Estava cansada, sentia um grande peso sob os ombros, uma desilusão. Ao chegar, abriu a porta, viu o telefone na mesinha e ligou para o primeiro SAC que encontrou numa embalagem na cozinha.
- Bom dia, meu nome é Aline em que posso ajudar?
- Alô. Eu preciso uma informação. Onde está a gordura trans nos produtos de vocês?
- Senhora, qual o nome da senhora?
- O meu nome? É Débora. Mas eu quero saber é da gordura trans.
- Senhora Débora, a senhora está me dizendo que encontrou gordura trans em nossos produtos?
- Não, quero saber onde ela está, o que vocês fizeram com ela.
- Senhora, ainda não entendi o seu problema, senhora. De qual dos nossos produtos a senhora se refere?
- A qualquer um deles.
- Senhora, em qual produto ocorreu o problema?
Ela olhou para o pacote em suas mãos e respondeu:
- Estou aqui com o biscoito Bom de Mais.
- Qual sabor senhora?
- Leite.
- Então, a senhora afirma que encontrou gordura trans num pacote do nosso biscoito Bom de Mais sabor leite. É isso, senhora?
- Não, não é isso.
- Senhora, eu vou levar o seu problema para o meu supervisor. Aguarde um momento, por favor.
Agora, seus ouvidos foram tomados pela composição de Beethoven, "Pour Elise", tã, nã, nã, nã, nã, nã, nã, nã, nã, na... O pacote de biscoito já começava a suar em sua mão quando a atendente retornou à ligação.
- Alô, senhora Débora, obrigada por esperar. Eu passei o seu problema para o meu supervisor e, diante da gravidade da sua reclamação, estaremos enviando um técnico químico em sua residência para avaliar o produto. A senhora concorda?
- Sim.
- Então, a senhora poderia me dar os seus dados para que possamos proceder? Nome completo, endereço, telefone para contato... Obrigada senhora. O nosso técnico estará indo a sua casa ainda pela manhã, tudo bem, senhora Débora?
- Sim.
Apesar da ligação, o peso continuava. Ela ficou sentada no chão ao lado da mesinha do telefone. O pacote já estava suado em sua mão. Sua mente divagava sobre as possibilidades quanto ao paradeiro da gordura trans. Lembrava que as reportagens alertavam para o perigo, mas também afirmavam que ela era a responsável pelo gostinho irresistível, pelo cheiro arrebatador, pela vontade de comer mais. Se de fato era assim, como retiraram a gordura trans e os produtos continuavam aparentemente normais com mesmos sabores, aromas e texturas? Havia algo de muito errado aí, ela sabia. Por alguns minutos ficou ali, pensando. A fome já dava seus primeiros sinais quando a campainha tocou.
- Bom dia. É a senhora Débora? Meu nome é Carlos, sou técnico da empresa alimentícia. Vim ver o produto em que a senhora encontrou irregularidades.
- Não é bem uma irregularidade.
- É esse aqui na sua mão?
- É sim, mas há outros também...
- Outros? Não havia sido informado. Será que foi um problema em todo o lote? Assim teremos que fazer um recall. Mas diga-me, como a senhora detectou gordura trans em nossos produtos? A senhora é química? Trabalha no Inmetro? Fez algum teste?
- Não. Eu sou corretora de seguros.
- Corretora? Então, como a senhora detectou gordura trans no nosso produto?
- Eu não encontrei nada. Eu só queria saber o que aconteceu com ela já que nos rótulos está estampado 0% de gordura trans.
- Mas a senhora ligou para nosso serviço de atendimento reclamando que havia gordura trans no biscoito Bom de Mais sabor leite.
- Não foi bem assim.
- A senhora se importaria de me ceder a amostra do biscoito em questão?
- Uma amostra?
- Sim, disse, pegando o pacote das mãos de Débora. Nós lhe manteremos informadas sobre o resultado de nossos testes.
Foi dado início a uma série de rigorosos testes, mas nada era comprovado e ao que parecia, não havia gordura trans nos produtos. A questão já havia tomado enormes proporções, alegando-se ser um tema de saúde pública. Os noticiários estavam em polvorosa com a possibilidade de fraude da empresa, de uma intoxicação generalizada ou mesmo de a gordura trans ser encontrada em outros produtos de outras empresas.
Débora não entendia o que estava passando. Apesar de falar, falar e falar, os outros pareciam não entender o que ela dizia. Ao que parece não havia problemas com o biscoito, mas com a consumidora do biscoito. O acesso de histeria fez com que as autoridades enviassem, dias depois, uma equipe à residência de Débora. Ela tentou relutar, argumentar, mas de nada adiantou. Sem ter como resistir, foi levada ao manicômio da cidade, a fim de ser tratada, pois ela estaria sofrendo de alguma espécie de transtorno obsessivo compulsivo relativo à gordura trans.
O ritmo da sociedade foi normalizado e as pessoas já estavam entretidas com alguma outra manchete espetacular, enquanto que Débora permaneceu internada e sem sinais de melhoras. A obsessão continuava. Sempre que um alimento chegava as suas mãos ela lia, relia os rótulos a procura da gordura trans. Não apresentava comportamento violento, estava sempre calada, sozinha, mas nada parecia surtir efeito, já havia sido sedada, participado de terapia em grupo e mesmo individual. Ela seguia com o olhar perdido, pensamentos desconcatenados. Até que chegou o dia em que ela não mencionou as tais gorduras trans. Todos ficaram surpresos no manicômio. Ela comeu biscoito, passou margarina no pão sem falar absolutamente nenhuma palavra sobre o assunto. Diante da espantosa recuperação, os médicos lhe deram alta.
Estava uma típica manhã de verão, mas ela parecia mais luminosa para Débora. Com uma pequena mala na mão, ela saiu caminhando lentamente. Esforçando-se para focar a visão em tudo que via, numa placa, num carro, numa casa. Procurava um ponto de ônibus quando avistou uma sorveteria. Resolveu parar e se refrescar para comemorar a sua saída. Sentia-se livre e nada melhor do que um sorvete para lavar a alma e recomeçar a vida. Aproximou-se do balcão e leu atentamente os nomes dos mais de 50 sabores oferecidos. Eram variados: os tradicionais chocolate, creme e morango; os de fruta como limão e cajá; e outros com nomes esquisitos que levavam castanhas e suspiros; havia até de caipirinha...
- Meu Deus!, pensou.
Fez outra busca atenta, observou os clientes entrando, saindo, fazendo seus pedidos. Havia voltado o peso. Então, virou-se para o atendente e perguntou:
- Você não tem com sabor de gordura trans?
Tá, mas o fato é que ontem acordei com uma historinha na cabeça e decidi escrevê-la. Sai jogando as palavras para não perdê-las. Sei que não se deve tratar assim as palavras. Elas devem ser pensadas, buriladas, maturadas, mas não podia perder essa oportunidade de um lampejo criativo em minha mente.
Assim, divido com vocês o resultado e peço que perdoem-me qualquer falta grave, pois estou bem enferrujada nessas narrativas ficcionais.
*********************
[Sumiram com a gordura trans!]
Ela acordou num salto. Deve ter sonhado com isso. Estar no seu subconsciente. Agora não lembrava, mas persistia aquela idéia fixa. Correu para a cozinha. Abriu a geladeira, procurou e não encontrou. Foi até o armário, revirou tudo e também nada. O último lugar que restava procurar era a dispensa. Mexeu nos pacotes, nas latas, nas caixas... Tinha que estar em algum lugar.
Voltou ao quarto, pegou uma calça jeans e a camiseta que tinha usado no dia anterior. Jogou por cima do corpo e saiu para o supermercado. O coração saltava enquanto vistoriava prateleira por prateleira.
[Ahhhhhhh] O grito seco ficou preso na garganta. Ela continuou uns segundos parada, estática com o pacote de margarina na mão. Na embalagem dizia: “Mais saudável. 0% de gordura trans”.
Não podia ser. Há poucos meses, praticamente tudo que era consumido continha a tal da gordura trans. É certo que ninguém ou quase ninguém tinha conhecimento da sua existência, mas de repente estava em todos os jornais, em todos os programas de TV e foi revelado para toda a população: a gordura trans era a vilã da saúde e teria que ser riscada do mapa. Mas como assim? Tão rápido? De repente não há mais gordura trans no mundo? Para onde ela foi?
A dúvida a deixava inquieta, confusa, sentiu-se fragilizada. Os passos que a levaram até em casa foram pesados. Estava cansada, sentia um grande peso sob os ombros, uma desilusão. Ao chegar, abriu a porta, viu o telefone na mesinha e ligou para o primeiro SAC que encontrou numa embalagem na cozinha.
- Bom dia, meu nome é Aline em que posso ajudar?
- Alô. Eu preciso uma informação. Onde está a gordura trans nos produtos de vocês?
- Senhora, qual o nome da senhora?
- O meu nome? É Débora. Mas eu quero saber é da gordura trans.
- Senhora Débora, a senhora está me dizendo que encontrou gordura trans em nossos produtos?
- Não, quero saber onde ela está, o que vocês fizeram com ela.
- Senhora, ainda não entendi o seu problema, senhora. De qual dos nossos produtos a senhora se refere?
- A qualquer um deles.
- Senhora, em qual produto ocorreu o problema?
Ela olhou para o pacote em suas mãos e respondeu:
- Estou aqui com o biscoito Bom de Mais.
- Qual sabor senhora?
- Leite.
- Então, a senhora afirma que encontrou gordura trans num pacote do nosso biscoito Bom de Mais sabor leite. É isso, senhora?
- Não, não é isso.
- Senhora, eu vou levar o seu problema para o meu supervisor. Aguarde um momento, por favor.
Agora, seus ouvidos foram tomados pela composição de Beethoven, "Pour Elise", tã, nã, nã, nã, nã, nã, nã, nã, nã, na... O pacote de biscoito já começava a suar em sua mão quando a atendente retornou à ligação.
- Alô, senhora Débora, obrigada por esperar. Eu passei o seu problema para o meu supervisor e, diante da gravidade da sua reclamação, estaremos enviando um técnico químico em sua residência para avaliar o produto. A senhora concorda?
- Sim.
- Então, a senhora poderia me dar os seus dados para que possamos proceder? Nome completo, endereço, telefone para contato... Obrigada senhora. O nosso técnico estará indo a sua casa ainda pela manhã, tudo bem, senhora Débora?
- Sim.
Apesar da ligação, o peso continuava. Ela ficou sentada no chão ao lado da mesinha do telefone. O pacote já estava suado em sua mão. Sua mente divagava sobre as possibilidades quanto ao paradeiro da gordura trans. Lembrava que as reportagens alertavam para o perigo, mas também afirmavam que ela era a responsável pelo gostinho irresistível, pelo cheiro arrebatador, pela vontade de comer mais. Se de fato era assim, como retiraram a gordura trans e os produtos continuavam aparentemente normais com mesmos sabores, aromas e texturas? Havia algo de muito errado aí, ela sabia. Por alguns minutos ficou ali, pensando. A fome já dava seus primeiros sinais quando a campainha tocou.
- Bom dia. É a senhora Débora? Meu nome é Carlos, sou técnico da empresa alimentícia. Vim ver o produto em que a senhora encontrou irregularidades.
- Não é bem uma irregularidade.
- É esse aqui na sua mão?
- É sim, mas há outros também...
- Outros? Não havia sido informado. Será que foi um problema em todo o lote? Assim teremos que fazer um recall. Mas diga-me, como a senhora detectou gordura trans em nossos produtos? A senhora é química? Trabalha no Inmetro? Fez algum teste?
- Não. Eu sou corretora de seguros.
- Corretora? Então, como a senhora detectou gordura trans no nosso produto?
- Eu não encontrei nada. Eu só queria saber o que aconteceu com ela já que nos rótulos está estampado 0% de gordura trans.
- Mas a senhora ligou para nosso serviço de atendimento reclamando que havia gordura trans no biscoito Bom de Mais sabor leite.
- Não foi bem assim.
- A senhora se importaria de me ceder a amostra do biscoito em questão?
- Uma amostra?
- Sim, disse, pegando o pacote das mãos de Débora. Nós lhe manteremos informadas sobre o resultado de nossos testes.
Foi dado início a uma série de rigorosos testes, mas nada era comprovado e ao que parecia, não havia gordura trans nos produtos. A questão já havia tomado enormes proporções, alegando-se ser um tema de saúde pública. Os noticiários estavam em polvorosa com a possibilidade de fraude da empresa, de uma intoxicação generalizada ou mesmo de a gordura trans ser encontrada em outros produtos de outras empresas.
Débora não entendia o que estava passando. Apesar de falar, falar e falar, os outros pareciam não entender o que ela dizia. Ao que parece não havia problemas com o biscoito, mas com a consumidora do biscoito. O acesso de histeria fez com que as autoridades enviassem, dias depois, uma equipe à residência de Débora. Ela tentou relutar, argumentar, mas de nada adiantou. Sem ter como resistir, foi levada ao manicômio da cidade, a fim de ser tratada, pois ela estaria sofrendo de alguma espécie de transtorno obsessivo compulsivo relativo à gordura trans.
O ritmo da sociedade foi normalizado e as pessoas já estavam entretidas com alguma outra manchete espetacular, enquanto que Débora permaneceu internada e sem sinais de melhoras. A obsessão continuava. Sempre que um alimento chegava as suas mãos ela lia, relia os rótulos a procura da gordura trans. Não apresentava comportamento violento, estava sempre calada, sozinha, mas nada parecia surtir efeito, já havia sido sedada, participado de terapia em grupo e mesmo individual. Ela seguia com o olhar perdido, pensamentos desconcatenados. Até que chegou o dia em que ela não mencionou as tais gorduras trans. Todos ficaram surpresos no manicômio. Ela comeu biscoito, passou margarina no pão sem falar absolutamente nenhuma palavra sobre o assunto. Diante da espantosa recuperação, os médicos lhe deram alta.
Estava uma típica manhã de verão, mas ela parecia mais luminosa para Débora. Com uma pequena mala na mão, ela saiu caminhando lentamente. Esforçando-se para focar a visão em tudo que via, numa placa, num carro, numa casa. Procurava um ponto de ônibus quando avistou uma sorveteria. Resolveu parar e se refrescar para comemorar a sua saída. Sentia-se livre e nada melhor do que um sorvete para lavar a alma e recomeçar a vida. Aproximou-se do balcão e leu atentamente os nomes dos mais de 50 sabores oferecidos. Eram variados: os tradicionais chocolate, creme e morango; os de fruta como limão e cajá; e outros com nomes esquisitos que levavam castanhas e suspiros; havia até de caipirinha...
- Meu Deus!, pensou.
Fez outra busca atenta, observou os clientes entrando, saindo, fazendo seus pedidos. Havia voltado o peso. Então, virou-se para o atendente e perguntou:
- Você não tem com sabor de gordura trans?
Eis um pequeno fato.
Você vai morrer.
Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida e acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpático. Simpatia não tem nada a ver comigo.
Isso preocupa você?
Insisto - não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.
- É claro, uma apresentação.
Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.
Nesse momento, você estará deitado. (Raras vezes encontro pessoas de pé.) Estará solidificado em seu corpo. Talvez haja uma descoberta; um grito pingará pelo ar. O único som que ouvirei depois disso será minha própria respiração, além do som do cheiro de meus passos.
[Trecho do livro A menina que roubava livros, de Markus Zusak]
*****************
Primeiro perdi um tio, depois minha avó materna. Hoje, perdi minha avó paterna. Sempre diante desses fatos, pensei em escrever um texto sobre a morte, sobre o que penso dela. Mas a verdade é que quando ela surge em nossas vidas, não dá para pensar em muita coisa, nem sobre ela nem sobre qualquer outra coisa, pois ela não é racional, é apenas uma sensação, um sentimento.
Você vai morrer.
Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida e acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpático. Simpatia não tem nada a ver comigo.
Isso preocupa você?
Insisto - não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.
- É claro, uma apresentação.
Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.
Nesse momento, você estará deitado. (Raras vezes encontro pessoas de pé.) Estará solidificado em seu corpo. Talvez haja uma descoberta; um grito pingará pelo ar. O único som que ouvirei depois disso será minha própria respiração, além do som do cheiro de meus passos.
[Trecho do livro A menina que roubava livros, de Markus Zusak]
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Primeiro perdi um tio, depois minha avó materna. Hoje, perdi minha avó paterna. Sempre diante desses fatos, pensei em escrever um texto sobre a morte, sobre o que penso dela. Mas a verdade é que quando ela surge em nossas vidas, não dá para pensar em muita coisa, nem sobre ela nem sobre qualquer outra coisa, pois ela não é racional, é apenas uma sensação, um sentimento.
Aporta em Fortaleza hoje, dia 31, e vai até 18 de novembro, o Circuito Cultural Banco do Brasil, projeto itinerante que leva arte e cultura a várias cidades do país. As atrações nacionais nas áreas da música, literatura, teatro, dança e artes plásticas serão apresentadas no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Entre os mais esperados:
* Festival Anima Mundi;
* Shows de Zélia Duncan e Frejat;
* Mostra “Di Cavalcanti: Cronista de seu tempo”;
* As peças "Toda nudez será castigada" e "Eu sou minha própria mulher";
* Laboratório do Escritor, com o gaúcho Luís Fernando Veríssimo, autor de livros como “Comédia da Vida Privada” e “O Clube da Gula”, no dia 7 /11.
A maioria das atrações é gratuita, as que não são contam com preços populares. Para mais informações, clique aqui.
Entre os mais esperados:
* Festival Anima Mundi;
* Shows de Zélia Duncan e Frejat;
* Mostra “Di Cavalcanti: Cronista de seu tempo”;
* As peças "Toda nudez será castigada" e "Eu sou minha própria mulher";
* Laboratório do Escritor, com o gaúcho Luís Fernando Veríssimo, autor de livros como “Comédia da Vida Privada” e “O Clube da Gula”, no dia 7 /11.
A maioria das atrações é gratuita, as que não são contam com preços populares. Para mais informações, clique aqui.
Demorei semanas e mesmo assim não consegui terminar de ler "Cien años de soledad". No entanto, em menos de meio dia acabei a leitura de “Memorias de mis putas tristes”, último romance de Gabriel García Márquez.
Lançado mundialmente em 2004, “Memorias de mis putas tristes” é um livro breve que narra a história de um jornalista que ao completar 90 anos decide se presentear com uma noite de amor com uma virgem. Como é de se esperar, ele se apaixona por essa jovem que mal completou 15 anos e a quem batiza de Delgadina.
Nostalgico, sensível e até irônico, o livro não traz surpresas. É leitura para uma tarde de domingo. Mesmo assim, García Márquez nos envereda numa narrativa simples e comovedora que nos fala de amor, sexo, velhice e mudanças de visões de mundo.
PS: Lido em Espanhol.
****************
Trecho escolhido
No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. Também a moral é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, você vai ver. Era um pouco mais nova que eu, e não sabia dela fazia tantos anos que podia muito bem estar morta. Mas no primeiro toque reconheci a voz no telefone e disparei sem preâmbulos:
— É hoje.
****************
FICHA TÉCNICA
Livro: Memorias de mis putas tristes
Autor: Gabriel García Márquez
Editora: Mondadori
ISBN: 958-04-8362-0
Lançado mundialmente em 2004, “Memorias de mis putas tristes” é um livro breve que narra a história de um jornalista que ao completar 90 anos decide se presentear com uma noite de amor com uma virgem. Como é de se esperar, ele se apaixona por essa jovem que mal completou 15 anos e a quem batiza de Delgadina.
Nostalgico, sensível e até irônico, o livro não traz surpresas. É leitura para uma tarde de domingo. Mesmo assim, García Márquez nos envereda numa narrativa simples e comovedora que nos fala de amor, sexo, velhice e mudanças de visões de mundo.
PS: Lido em Espanhol.
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Trecho escolhido
No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. Também a moral é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, você vai ver. Era um pouco mais nova que eu, e não sabia dela fazia tantos anos que podia muito bem estar morta. Mas no primeiro toque reconheci a voz no telefone e disparei sem preâmbulos:
— É hoje.
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FICHA TÉCNICA
Livro: Memorias de mis putas tristes
Autor: Gabriel García Márquez
Editora: Mondadori
ISBN: 958-04-8362-0
Hoje, resolvi criar um novo marcador para o Blog, que vai se chamar Novos Rumos. É isso aí, muita coisa aconteceu em 2007 e outras mais virão em 2008. Coisas que desde já tenho preparado e que me levarão por novos rumos - pessoais e profissionais - e por novas terras além-mar.
E para essa estréia, veio-me à mente o famoso poema de Drummond: José. Aqui, deixo os primeiros versos:
"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?"
E para essa estréia, veio-me à mente o famoso poema de Drummond: José. Aqui, deixo os primeiros versos:
"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?"

Simplesmente maravilhosa a entrevista com Paulo Henrique Amorim na edição de Caros Amigos deste mês.
Estava com ela aqui há tempos esperando uma brechinha para ler e finalmente consegui. São seis páginas de uma entrevista como diz a própria cartolha: explosiva e hilariante. É uma pena que não possa disponibilizar todo o conteúdo. Os trechos que estão no site da revista também não são os melhores - por motivos óbvios, eu sei. Mas tentei selecionar algumas coisas:
Eleições 2010
"É mais provável o Vesgo do Pânico ser eleito presidente da República do que o José Serra." E justifica: "O brasileiro não escolhe paulista presidente da República nem debaixo de vara."
Daniel Dantas
"O Daniel Dantas é uma fraqueza, ele não pode ver um gravador que já sai apertando o play".
Mídia
"Nós temos um jornalismo diário, desculpe, de bosta. Não dá pra ler, não sabem escrever. É de chorar".
Roberto Marinho
"Dei um furo em que dizia que o fulano de tal ia ser o presidente da Petrobrás. Ele (Roberto Marinho) e disse: 'Olha aqui. Você veio do Jornal do Brasil. Aqui no Globo não não se pode dar esse tipo de informação sem que eu saiba e autorize. Você veio do Jornal do Brasil, é outra escola, aqui é diferente. Então você tem que me avisar, avisa através do Armando".
Início na TV
"Fiquei três meses zanzando lá pelos corredores, treinando colocação de voz com a Glorinha Beuttenmuller. Até que um dia ela ligou para o Armando ou para a Alice Maria, não me lembro, e disse: 'Põe esse cara no ar, ele está pronto, melhor do que isso não fica'".
***** Atualização (13.11.2007)
A entrevista na íntegra está disponível no Conversa Afiada, do PHA. Para conferir, clique aqui.
Nesse fim de semana tentei assistir a "O Segredo". Não passei dos 17 primeiros minutos. Quando um amigo apareceu com o filme eu fui logo pedindo, afinal já tinha ouvido falar do fenômeno de vendas do livro e da tal Lei da Atração. Como não o li, não faço aqui qualquer comparação. Na verdade, "O Segredo" é ruim como produto cinematográfico mesmo.
A primeira decepção foi que pensei que eles iriam ficcionar o negócio e dou de cara com um documentário. E o pior, completamente sem ritmo e cheio de "visionários" falando para mim que devo pensar positivo, pois coisas boas me acontecerão - por favor, auto-ajuda agora não!
Sem entrar no mérito da funcionalidade da Lei da Atração, vou tentar assistir mais 17 minutos no próximo ano. Quem sabe em cinco anos consigo ver todo o filme.
FICHA TÉCNICA
Título: O Segredo
País de Origem: Austrália / EUA
Gênero: documentário
Duração: 92 minutos
Ano de lançamento: 2006
Lançamento no Brasil: 2007
SINOPSE
Ao longo da existência da humanidade, um grande segredo foi protegido a ferro e fogo. Homens e mulheres extraordinários o descobriram e não só alcançaram feitos incríveis como também mudaram o rumo da história. Platão, Da Vinci, Galileu, Thomas Edson, Beethoven, Napoleão, Abraham Lincoln e Einstein foram alguns dos grandes homens que controlavam a força desse mistério. E agora, após milhares de anos, o Segredo será revelado para todo o mundo!
A primeira decepção foi que pensei que eles iriam ficcionar o negócio e dou de cara com um documentário. E o pior, completamente sem ritmo e cheio de "visionários" falando para mim que devo pensar positivo, pois coisas boas me acontecerão - por favor, auto-ajuda agora não!
Sem entrar no mérito da funcionalidade da Lei da Atração, vou tentar assistir mais 17 minutos no próximo ano. Quem sabe em cinco anos consigo ver todo o filme.
FICHA TÉCNICA
Título: O Segredo
País de Origem: Austrália / EUA
Gênero: documentário
Duração: 92 minutos
Ano de lançamento: 2006
Lançamento no Brasil: 2007
SINOPSE
Ao longo da existência da humanidade, um grande segredo foi protegido a ferro e fogo. Homens e mulheres extraordinários o descobriram e não só alcançaram feitos incríveis como também mudaram o rumo da história. Platão, Da Vinci, Galileu, Thomas Edson, Beethoven, Napoleão, Abraham Lincoln e Einstein foram alguns dos grandes homens que controlavam a força desse mistério. E agora, após milhares de anos, o Segredo será revelado para todo o mundo!
Quem poderia imaginar? Mas está publicado na edição de hoje do Diário do Nordeste:
PARCERIA INÉDITA
Cabaré patrocina time dirigido por pastor
O Araçatuba, time que disputa o Paulista Sub-20, obteve o patrocínio do Teatro Orion Show House, uma casa que explora a prostituição, localizada na região conhecida como ´Boca do Lixo´ paulistana. A casa tem como dono Raimundo Donato Lira, investidor do clube. O presidente do Araçatuba, Luís Cardoso do Nascimento, é pastor de uma igreja evangélica.
***** Se isso fosse aqui no Ceará ia ser assunto pra semana inteira nos programas esportivos e humoristicos. Vai comendo Raimundão...
PARCERIA INÉDITA
Cabaré patrocina time dirigido por pastor
O Araçatuba, time que disputa o Paulista Sub-20, obteve o patrocínio do Teatro Orion Show House, uma casa que explora a prostituição, localizada na região conhecida como ´Boca do Lixo´ paulistana. A casa tem como dono Raimundo Donato Lira, investidor do clube. O presidente do Araçatuba, Luís Cardoso do Nascimento, é pastor de uma igreja evangélica.
***** Se isso fosse aqui no Ceará ia ser assunto pra semana inteira nos programas esportivos e humoristicos. Vai comendo Raimundão...
É... recebi hoje do Leia Livro, "Públicos - Como identificá-los em uma nova visão estratégica". Já estava com saudade de ganhar livros. Foi um ótimo estímulo para voltar a publicar minhas resenhas. Tanto que foram três em um mês. Acho que um recorde pessoal.
Agora estou pensando em diversificar e ler algo mais técnico e sair um pouco do ficcional. Quem sabe não começo com Públicos...
Agora estou pensando em diversificar e ler algo mais técnico e sair um pouco do ficcional. Quem sabe não começo com Públicos...

A resenha da editora começa assim: “Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em A menina que roubava livros”.
De fato, para que a Morte – a indesejada – decidisse contar seis anos da vida de uma menina de 10 anos em plena Alemanha nazista, a história deveria ser muito interessante. E é. O australiano Markus Zusak nos traz, em A menina que roubava livros, uma narração fragmentada costurada com o horror da guerra, ironia e, principalmente, com o poder da palavra.
É ela, a palavra, que salva a personagem principal, Liesel, do mundo que desmorona ao seu redor. Primeiro, antes do início da guerra, quando morre o seu irmão e ela rouba seu primeiro livro, O Manual do Coveiro; e depois, já no fim da Segunda Grande Guerra, quando uma bomba leva embora toda a vida que ela reconstruiu.
A vida de Liesel não foi nada bela. O pai comunista foi perseguido, o irmão morreu e a mãe a deu para adoção. Na nova família, uma nova “mamãe” que a chama de porca todo o tempo. No outro lado da balança, um novo “pai”, um acordeonista simples e sensível. Há, ainda, o seu melhor amigo e grande amor de juventude, Rudy Steiner e o judeu Max Vanderburg, que se esconde no porão da pequena casa.
O amor pelos livros surgiu da dor e a sustentou. De 1939 a 1943, foram 10 livros entre roubados, oferecidos, escritos para ela e, no fim, um escrito por ela. Sem dúvida, o livro é uma ode à literatura.
De fato, para que a Morte – a indesejada – decidisse contar seis anos da vida de uma menina de 10 anos em plena Alemanha nazista, a história deveria ser muito interessante. E é. O australiano Markus Zusak nos traz, em A menina que roubava livros, uma narração fragmentada costurada com o horror da guerra, ironia e, principalmente, com o poder da palavra.
É ela, a palavra, que salva a personagem principal, Liesel, do mundo que desmorona ao seu redor. Primeiro, antes do início da guerra, quando morre o seu irmão e ela rouba seu primeiro livro, O Manual do Coveiro; e depois, já no fim da Segunda Grande Guerra, quando uma bomba leva embora toda a vida que ela reconstruiu.
A vida de Liesel não foi nada bela. O pai comunista foi perseguido, o irmão morreu e a mãe a deu para adoção. Na nova família, uma nova “mamãe” que a chama de porca todo o tempo. No outro lado da balança, um novo “pai”, um acordeonista simples e sensível. Há, ainda, o seu melhor amigo e grande amor de juventude, Rudy Steiner e o judeu Max Vanderburg, que se esconde no porão da pequena casa.
O amor pelos livros surgiu da dor e a sustentou. De 1939 a 1943, foram 10 livros entre roubados, oferecidos, escritos para ela e, no fim, um escrito por ela. Sem dúvida, o livro é uma ode à literatura.
PS: Quem quiser ler o primeiro capítulo do livro, é só clicar aqui.
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Trecho escolhido:
“O livro no topo da pilha era O Assobiador, e ela falou em voz alta, para ajudar sua própria concentração. (...) Na página três, todos estavam calados, menos Liesel.
A menina não se atreveu a levantar os olhos, mas sentiu os olhares assustados prenderem-se a ela, enquanto ia puxando as palavras e exalando-as. Uma voz tocava as notas dentro dela. Este é o meu acordeão, dizia.
O som da página cortou-os ao meio.
Liesel continuou a ler. Durante pelo menos vinte minutos, foi entregando a história. As crianças menores as acalmaram com sua voz, enquanto todos os outros tinham visões do assobiador fugindo da cena do crime. Não Liesel. A menina que roubava livros via apenas a mecânica das palavras – seus corpos presos no papel, achatados para lhe permitir caminhar sobre eles. Além disso, em algum lugar, nos hiatos entre uma frase e a maiúscula seguinte, também havia Max. Liesel lembrou-se de ter lido para ele quando o rapaz estivera doente. Será que ele está no porão?, pensou com seus botões. Ou estará roubando de novo um vislumbre do céu?”. (pág. 332-333)
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Trecho escolhido:
“O livro no topo da pilha era O Assobiador, e ela falou em voz alta, para ajudar sua própria concentração. (...) Na página três, todos estavam calados, menos Liesel.
A menina não se atreveu a levantar os olhos, mas sentiu os olhares assustados prenderem-se a ela, enquanto ia puxando as palavras e exalando-as. Uma voz tocava as notas dentro dela. Este é o meu acordeão, dizia.
O som da página cortou-os ao meio.
Liesel continuou a ler. Durante pelo menos vinte minutos, foi entregando a história. As crianças menores as acalmaram com sua voz, enquanto todos os outros tinham visões do assobiador fugindo da cena do crime. Não Liesel. A menina que roubava livros via apenas a mecânica das palavras – seus corpos presos no papel, achatados para lhe permitir caminhar sobre eles. Além disso, em algum lugar, nos hiatos entre uma frase e a maiúscula seguinte, também havia Max. Liesel lembrou-se de ter lido para ele quando o rapaz estivera doente. Será que ele está no porão?, pensou com seus botões. Ou estará roubando de novo um vislumbre do céu?”. (pág. 332-333)
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FICHA TÉCNICA
Livro: A menina que roubava livros
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Ano da impressão: 2007
ISBN: 978-85-98078-17-5
478 páginas
Trecho de hoje: "Não tenha dúvida, faça o que lhe der vontade...bolinhas de sabão, só se for de montão. Brincar até não aguentar mais. Ter cúmplices nos momentos felizes".
Trecho de hoje: Não tenha vergonha, expresse seus sentimentos, arrisque uma frase envergonhada, o máximo que você pode conseguir é um SIM.
A mídia está na mídia e aqui no Ceará esse debate já tem alguns anos. Os profissionais daqui criaram o Fórum Permanente Imprensa & Democracia e hoje acontece uma nova edição do evento, a partir das 19 h, no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará (Adufc). O encontro terá como palestrante o gaúcho James Gorgën, coordenador de Projetos do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (EPCOM).
O tema central do fórum: "Os donos da mídia e o controle social dos meios". O forum faz parte da programação da Semana Internacional da Democratização dos Meios de Comunicação e é uma realização do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e Universidade Federal do Ceará (UFC), com o apoio de várias entidades.
O tema central do fórum: "Os donos da mídia e o controle social dos meios". O forum faz parte da programação da Semana Internacional da Democratização dos Meios de Comunicação e é uma realização do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e Universidade Federal do Ceará (UFC), com o apoio de várias entidades.
Comecei a ler "A menina que roubava livros". A leitura flui naturalmente. Os capítulos são pequenos e quando você se dá conta já foram mais de 100 páginas. Devo estar na metade do livro, mas falo melhor dele depois, quando já o tiver terminado.
Nesses dias também tirei da gaveta outro livro. Quer dizer... um desses livros-presente. Ganhei no último natal de um queridíssimo amigo: "As coisas boas da vida". Nunca o li inteiramente, pois tinha a impressão de que já sabia o que estava escrito, mas ando tão inconstante que achei que era hora de colocá-lo em cima da mesa como um calendário para ir sugando as palavras dia-a-dia, pois a felicidade é algo a ser continuamente construído com as pequenas bençãos que nos são concedidas pela vida.
Assim, o trecho de hoje é: "Felicidade é um jeito de viver, uma atitude de agradecimento ao mundo".
Nesses dias também tirei da gaveta outro livro. Quer dizer... um desses livros-presente. Ganhei no último natal de um queridíssimo amigo: "As coisas boas da vida". Nunca o li inteiramente, pois tinha a impressão de que já sabia o que estava escrito, mas ando tão inconstante que achei que era hora de colocá-lo em cima da mesa como um calendário para ir sugando as palavras dia-a-dia, pois a felicidade é algo a ser continuamente construído com as pequenas bençãos que nos são concedidas pela vida.
Assim, o trecho de hoje é: "Felicidade é um jeito de viver, uma atitude de agradecimento ao mundo".

Com muita força narrativa, Vicente Blasco Ibáñez (1867-1928) nos conta em "Sangre y arena" a história do toureiro José Gallardo. Filho de sapateiro e quase sem educação, o menino desde cedo se encanta com a magia das corridas de touro. Já homem, conquista toda a Espanha com sua coragem frente aos animais. No entanto, a origem humilde ainda persegue Galardo apesar de todo o dinheiro e glória que encontrou nas arenas.
Descobrindo, com a leitura, o mundo dos touros e toureiros, com todas as suas ilusões, tragédias e crueldade. O autor, ao contrário do personagem, é bastante hostil a esse tipo de espetáculo, que é apenas um pano de fundo para a crítica de Ibáñez a aristocracia de Sevilla. Escrito em 1908, o livro revela a frivolidade dos ricos e bem nascidos que vêem Gallardo apenas como integrante da paisagem típica da região. Quando se dá conta, que sua busca por ascensão social foi um grande engano o toureiro finalmente encontra seu destino nas areias vermelhas das arenas de Sevilla.
**** Lido em Espanhol, na versão copilada da editora Edelsa.
Acarajé, abará... É isso mesmo, meu rei, estou na Bahia... Por isso, vou deixar pra postar depois, porque está me dando uma preguiça arretada...

Num dia normal, parado no semáforo, um homem grita: “Estou cego”. Assim, de repente. E é também de repente que a cegueira branca como leite vai se proliferando numa epidemia inexplicável. Mais e mais pessoas cegas são levadas a um antigo manicômio para confinamento, pensando-se proteger a população. O que não se sabia é que a cegueira iria continuar e toda a cidade ficaria cega.
Caos. Com a cegueira, são evidenciados os instintos mais primitivos na busca pela sobrevivência, tornando os homens em sombras do que um dia foram. Animais com necessidades básicas e nada mais.
Entre tantos cegos, apenas uma pessoa é capaz de enxergar: a esposa do médico. Mas nem por isso, ela sente-se afortunada. Ao contrário, sua visão lhe incube da responsabilidade de guiar os que não podem ver, além de lhe permitir ver as cenas horrorosas descritas por Saramago como quando os cachorros que devoram o cadáver de um homem na rua. A visão torna-se então uma maldição, e ela mesma chega a desejar cegar.
Caos. Com a cegueira, são evidenciados os instintos mais primitivos na busca pela sobrevivência, tornando os homens em sombras do que um dia foram. Animais com necessidades básicas e nada mais.
Entre tantos cegos, apenas uma pessoa é capaz de enxergar: a esposa do médico. Mas nem por isso, ela sente-se afortunada. Ao contrário, sua visão lhe incube da responsabilidade de guiar os que não podem ver, além de lhe permitir ver as cenas horrorosas descritas por Saramago como quando os cachorros que devoram o cadáver de um homem na rua. A visão torna-se então uma maldição, e ela mesma chega a desejar cegar.
“Ensaio sobre a cegueira” é assustador, inquietante e, antes de tudo, é um livro que nos faz enxergar e temer a própria humanidade. Será que Saramago estaria certo e “só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são” (p 128).
FICHA TÉCNICA
Livro: Ensiao sobre a cegueira
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Ano da impressão: 2007 (38ª edição)
ISBN: 978-85-7164-495-3
Livro: Ensiao sobre a cegueira
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Ano da impressão: 2007 (38ª edição)
ISBN: 978-85-7164-495-3

Segundo pesquisa do Data Folha, mais de um milhão e meio de pessoas apenas em São Paulo já assistiram à "Tropa de Elite", filme brasileiro com estréia nacional na próxima sexta, dia 12. Eu, aqui no Ceará, também já assisti.
Mas o que tem esse longa pra monopolizar a atenção do Brasil? Baseado no livro "Elite da Tropa", o filme possui ingredientes explosivos: tráfico, polícia e milícia atuando nas favelas do Rio de Janeiro. Sem meias palavras e sem poupar imagens que evidenciam a "guerra" vivida nos morros da cidade maravilhosa, o diretor José Padilha construiu um filme para agradar o público nacional e internacional: Boa direção, atuações exemplares e aterrador.
No entanto, mais do que qualquer elemento cinematográfico, "Tropa de Elite" surpreende pelo interesse do público, de forma tão espontânea, que ganhou as ruas e a Internet pela via da ilegalidade. Se de fato é mídia espontânea ou um furo pirata, quem irá saber. A piada é que o vazamento da cópia está sendo investigado pela própria Polícia.
Pena que o cinema brasileiro tenha enveredado pelo tortuoso caminho de privilegiar temas relacionados à violência, que ratificam a imagem negativa do País no exterior. Talvez não seja pertinente fazer comparações, mas lembro que no fenômeno "Cidade de Deus" a guerra na favela foi misturada com uma história que deu certo, a do jovem Buscapé que tinha medo de entrar para o crime e que acabou se tornando fotógrafo profissional. O mesmo não vemos em "Tropa de Elite". Ao terminamos de assistir, fica apenas o vazio. Esse deve ter sido o grande pecado do filme. Não se trata de eufemizar a realidade, pois a bem da verdade é que nem todo PM é corrupto, nem todo morador da favela é traficante, nem todo universitário é maconheiro e nem todo policial do BOPE é herói.
***************
SINOPSE
Um capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) quer deixar o posto e busca um substituto, ao mesmo tempo em que 2 amigos se destacam por sua honestidade como policiais.
FICHA TÉCNICA
Gênero: Ação
Duração: 118 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2007
Estúdio: Zazen Produções
Distribuição: Universal Pictures do Brasil
Direção: José Padilha
Roteiro: Rodrigo Pimentel, Bráulio Mantovani e José Padilha
ELENCO
Wagner Moura (Capitão Nascimento)
Caio Junqueira (Neto)
André Ramiro (André Matias)
Milhem Cortaz (Capitão Fábio)
Fernanda de Freitas (Roberta)
Fernanda Machado (Maria)
Maria Ribeiro (Rosane)
A Veja já foi mais discreta. Não sei o que ela esperava com sua matéria de capa - Che: a farsa de um herói -, a não ser ver se levantarem aqueles que não estão mais dispostos a aturar os desmandos da mídia golpista brasileira.
Como bem disse, Celso Lungaretti, em seu artigo na Agência Carta Maior, "A matéria da revista sobre Che não passa de mais um exercício do "jus esperneandi" a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes."
Foi um verdadeiro tiro no pé de Veja.
Como bem disse, Celso Lungaretti, em seu artigo na Agência Carta Maior, "A matéria da revista sobre Che não passa de mais um exercício do "jus esperneandi" a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes."
Foi um verdadeiro tiro no pé de Veja.
"Ao cineasta o que é do cineasta, ao escritor o que é do escritor".
Esse era o título da matéria publicada ontem, dia 30/09, no jornal O Povo. A reportagem discutia as tantas adaptações para a telona de obras literárias, aproveitando o gancho do filme do brasileiro Fernando Meirelles, Blindness, uma adaptação da obra de Saramago "Ensaio sobre a cegueira".
Foi bom para eu me recolocar, afinal sempre comparo os filmes aos livros e inevitavelmente prefiro os livros. Na verdade, comparo(ava) o que não é possivel de se comparar, pois são obras e linguagens diferentes.
Isso sem falar no fato de que o que vemos no cinema é a visão do diretor e/ou roteirista, uma visão que pode se aproximar ou se distanciar da nossa ao lermos o livro.
Aproveitem os links e vejam as matérias. Valem a pena.
Esse era o título da matéria publicada ontem, dia 30/09, no jornal O Povo. A reportagem discutia as tantas adaptações para a telona de obras literárias, aproveitando o gancho do filme do brasileiro Fernando Meirelles, Blindness, uma adaptação da obra de Saramago "Ensaio sobre a cegueira".
Foi bom para eu me recolocar, afinal sempre comparo os filmes aos livros e inevitavelmente prefiro os livros. Na verdade, comparo(ava) o que não é possivel de se comparar, pois são obras e linguagens diferentes.
Isso sem falar no fato de que o que vemos no cinema é a visão do diretor e/ou roteirista, uma visão que pode se aproximar ou se distanciar da nossa ao lermos o livro.
Aproveitem os links e vejam as matérias. Valem a pena.
Pôxa, essa já é a terceira semana em que posto apenas na sexta-feira. Nada contra os outros dias da semana. Na verdade, adoraria ter coisas legais para colocar aqui todos os dias, mas as coisinhas do dia-a-dia tem sugado minhas forças. A prova é que estou há mais de um mês lendo "Ensaio sobre a Cegueira" e apesar do livro ser maravilhoso, ainda não consegui concluir a leitura. O fato é que pretendo me redimir e aqui estou.
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro, um dos pseudônimos de Fernando Pessoa
******
Sem palavras... Posso dizer apenas que é um dos meus poemas favoritos.
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro, um dos pseudônimos de Fernando Pessoa
******
Sem palavras... Posso dizer apenas que é um dos meus poemas favoritos.
Capa do jornal O Povo de hoje traz Luizianne Lins e Patricia Saboya protagonizando o primeiro embate antes mesmo da campanha iniciar. Saboya já articula uma mudança de partido já que pelo PSB não consiguirá o apoio necessário para se lançar candidata. Quem não está gostando nada disso é Heitor Férrer (PDT), que pretende também se candidatar a prefeitura, já que é para o seu partido que Paty pretende ir. Já o ex-governador Lúcio Alcântara avisa em seu blog que também estará no jogo. Só não sabe ainda se como atleta ou técnico...
O presidente regional do DEM, ex-deputado federal e eterno candidato à prefeitura de Fortaleza, Moroni Torgan, cumprirá, neste fim de semana, uma velha agenda na capital cearense: peregrinar em áreas da periferia para gravar vídeos do programa político da legenda. Vai repetir aquele discurso de defensor do povo pobre e oprimido.
*** Alguém ainda agüenta???
*** Alguém ainda agüenta???
Da coluna do Edilmar Norões, no Diário do Nordeste de hoje:
Trunfo eleitoral
Indiferente aos desmentidos de que a senadora Patrícia Saboya não será candidata à Prefeitura de Fortaleza, um seu colega de partido (PSB) não descarta a possibilidade. E até aproveita para destacar sua inclusão, pela primeira vez, na relação dos 100 ´Cabeças do Congresso´, pelo acreditado Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar - Diap. O que vale como trunfo eleitoral, avalia.
Reconhecimento
Ao ressaltar a posição alcançada por Patrícia no criterioso julgamento do Diap e, como que para defender sua candidatura à sucessão da prefeita Luizianne Lins, o correligionário socialista lembra ´sua atuação como presidente da Comissão de Assuntos Especiais do Senado e o esforço que tem feito para trazer a siderúrgica para o Ceará´.
*** E alguém tinha acreditado no desmentido da Patrícia??? Essa aí vem para 2008 com "gosto de gás", como se diz na gíria popular.
Trunfo eleitoral
Indiferente aos desmentidos de que a senadora Patrícia Saboya não será candidata à Prefeitura de Fortaleza, um seu colega de partido (PSB) não descarta a possibilidade. E até aproveita para destacar sua inclusão, pela primeira vez, na relação dos 100 ´Cabeças do Congresso´, pelo acreditado Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar - Diap. O que vale como trunfo eleitoral, avalia.
Reconhecimento
Ao ressaltar a posição alcançada por Patrícia no criterioso julgamento do Diap e, como que para defender sua candidatura à sucessão da prefeita Luizianne Lins, o correligionário socialista lembra ´sua atuação como presidente da Comissão de Assuntos Especiais do Senado e o esforço que tem feito para trazer a siderúrgica para o Ceará´.
*** E alguém tinha acreditado no desmentido da Patrícia??? Essa aí vem para 2008 com "gosto de gás", como se diz na gíria popular.
Dentro das atividades do "Fórum Universal das Culturas", que começa no dia 20 de setembro em Monterrey, México, acontecerá o projeto "Debates Emblemáticos". As conferências serão transmitidas ao vivo pela internet e com versão resumida no Youtube. Entre os nomes que participarão está o escritor peruano Mario Vargas Llosa, que apresentará a conferência "O estado da literatura". O escritor mexicano Enrique Krauze será o coordenador e moderador dos debates. Durante 80 dias, o evento vai abrigar um extenso programa de exposições, diálogos e eventos culturais.
Além de Vargas Llosa, o ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, debaterá os riscos e as possibilidades da economia mundial com o diretor da revista "Foreign Policy", Moisés Naím. Já a ativista holandesa Ayaan Hirsi Ali, ameaçada de morte por grupos muçulmanos, debaterá com o acadêmico paquistanês Hussain Haggani a possibilidade de convivência entre o Islã e a democracia.
O escritor argentino, Marco Aguinis e o jornalista, historiador e cineasta paquistão Tariq Alí analisarão o tema "A esquerda na América Latina: Chavismo ou chilenismo?". A decadência dos Estados Unidos como super potência será o tema abordado pelo jornalista David Rieff, filho da escrito americana Susan Sontag, e pelo escritor Leon Wieseltier.
Vale a pena estarmos atentos e acompanhar.
Além de Vargas Llosa, o ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Lawrence Summers, debaterá os riscos e as possibilidades da economia mundial com o diretor da revista "Foreign Policy", Moisés Naím. Já a ativista holandesa Ayaan Hirsi Ali, ameaçada de morte por grupos muçulmanos, debaterá com o acadêmico paquistanês Hussain Haggani a possibilidade de convivência entre o Islã e a democracia.
O escritor argentino, Marco Aguinis e o jornalista, historiador e cineasta paquistão Tariq Alí analisarão o tema "A esquerda na América Latina: Chavismo ou chilenismo?". A decadência dos Estados Unidos como super potência será o tema abordado pelo jornalista David Rieff, filho da escrito americana Susan Sontag, e pelo escritor Leon Wieseltier.
Vale a pena estarmos atentos e acompanhar.

Presentes são mágicos. Nem todos vêm enrolados com laço de fita, mas na verdade o que os torna tão especiais não está no embrulho ou no seu valor, nem mesmo no conteúdo. Presentes são extraordinários pela sensação de bem-querer que proporcionam.
E quantos presentes ganhamos durante a nossa vida? Muitos deles nem reconhecemos como tal: um telefonema no meio do dia pra saber como estamos (também vale mensagem de texto, e-mail, scrap e até comentário aqui), um saco de pipoca dividido no cinema, uma piada no meio da aula, uma carona de guarda-chuva...
Durante a vida somos presenteados constantemente e não podia ser diferente, afinal a vida já é um presente. O maior de todos. Não tem nada melhor do que acordar todos os dias e sermos recebidos pelo sol ou pela chuva e termos a oportunidade de recomeçar, de perdir desculpa, de perdoar, de amar.
Quando percebemos isso, a vida fica muito mais bonita, cheia de cor e som. E é aí que descobrimos que mais importante que o catão é o sentimento expresso, mais importante que o livro é o conhecimento, mais importante que o celular é o telefonema, mais importante que a maquiagem é o sorriso, mais importante que a câmera é a lembrança dos momentos vividos, mais importante que a camiseta é o abraço.

O aniversário ainda não chegou, mas os presentes já estão vindo.
Ontem, um amigo muito querido me deu "A menina que roubava livros", de Markus Zusak. Só não entendi ele dizer que quando viu o livro se lembrou de mim... Só pode ser pela semelhança na sede de conhecimento e a relação da personagem principal com as palavras dos livros que seriam aplicadas ao contexto da sua própria vida. [Risos]
Já está na lista de espera para ser lido e comentado posteriormente.
A senadora Patrícia Saboya que até pouco tempo alrdeava seu "sonho" de se tornar prefeita de Fortaleza, depois de ter visto Cid Gomes de mãos dadas com a atual prefeita Luizianne Lins, resolveu negar qualquer candidatura para 2008 e afirmar que irá apoiar a recondução de Luizianne ao cargo "pelo bem de Fortaleza".
Outro "sonhador", o deputado estadual, Francisco Caminha, afirmou hoje que também nutre o mesmo desejo de Patrícia, mas deixou claro que seu partido apoiará a reeleição da prefeita petista por integrar a base aliada e o estafe dela, mas não dispensou o desabafo: "Eu tenho esse sonho comigo. Mas acho de difícil concretização".
Outro "sonhador", o deputado estadual, Francisco Caminha, afirmou hoje que também nutre o mesmo desejo de Patrícia, mas deixou claro que seu partido apoiará a reeleição da prefeita petista por integrar a base aliada e o estafe dela, mas não dispensou o desabafo: "Eu tenho esse sonho comigo. Mas acho de difícil concretização".
Na minha época, vestia a roupinha branca de dias de festa da escola e ia para as ruas com laço de fita verde e amarelo no cabelo.
Na minha época, todas às sextas-feira cantávamos o Hino Nacional com a mão no coração, enfileirados no pátio do colégio.
Na minha época, estudávamos "Moral e Cívica" na quinta série.
Na minha época... Não, não é saudosismo. Muita coisa mudou da década de 1980 para cá. Algumas para melhor outras para pior, mas não é assim todo processo de amadurecimento? Crescemos, aprendemos, erramos, retrocedemos, avançamos...
Sem dúvida, temos, sim, o que comemorar. Talvez não seja a dita independência, pois no fim das contas continuamos presos a várias amarras. A Constituição diz que somos livres, diz que somos iguais perante a Lei. No entanto, falta entre nós aquela outra palavrinha que nenhuma lei, a não ser a do amor, institui: a fraternidade.
Sem ela, estou certa de que não poderemos ser livres nem iguais verdadeiramente. Apenas o senso de irmandade poderá nos despir de qualquer preconceito e nos impulsionar a amar o outro como a nós mesmos, derrubando os muros que separam o "eu" do "outro" para finalmente nos tornarmos um só. Sem cor, sem religião, sem etnia, sem sexo, sem Pátria. Todos apenas humanos.
Na minha época, todas às sextas-feira cantávamos o Hino Nacional com a mão no coração, enfileirados no pátio do colégio.
Na minha época, estudávamos "Moral e Cívica" na quinta série.
Na minha época... Não, não é saudosismo. Muita coisa mudou da década de 1980 para cá. Algumas para melhor outras para pior, mas não é assim todo processo de amadurecimento? Crescemos, aprendemos, erramos, retrocedemos, avançamos...
Sem dúvida, temos, sim, o que comemorar. Talvez não seja a dita independência, pois no fim das contas continuamos presos a várias amarras. A Constituição diz que somos livres, diz que somos iguais perante a Lei. No entanto, falta entre nós aquela outra palavrinha que nenhuma lei, a não ser a do amor, institui: a fraternidade.
Sem ela, estou certa de que não poderemos ser livres nem iguais verdadeiramente. Apenas o senso de irmandade poderá nos despir de qualquer preconceito e nos impulsionar a amar o outro como a nós mesmos, derrubando os muros que separam o "eu" do "outro" para finalmente nos tornarmos um só. Sem cor, sem religião, sem etnia, sem sexo, sem Pátria. Todos apenas humanos.

Existem certas frases de efeito, cujo o efeito causado não é exatamente aquele esperado pelos seus criadores. Estava eu prestes a entrar no cinema e dava uma olhada nos pôsteres dos filmes que estão para estrear e vejo o cartaz de "Vira-Lata".
A história de um cachorro super-herói não é assim original, mas o que está em questão não é a originalidade do roteiro, mas o slogan do longa. No alto do pôster, em letras garrafais: "O MAL SERÁ LAMBIDO".
Gente, o que é isso??? O pessoal da criação estava com a cabeça aonde quando teve este inside? E o pior é que a produtora aprovou e agora essa obra-prima está inscrita em vários cinemas de todo o País.
Mas como não devemos julgar o livro pela capa e, nesse caso, o filme pelo pôster, vamos ao trailer. Para assistir, clique aqui.
*** "VIRA-LATA": EM BREVE NO CINEMA MAIS PERTO DE VOCÊ.
(Só não esqueça de levar um casaco extra, porque vai ser lambida para tudo que é lado).

Pois é, cortaram o Bolsa Família da mãe da Grazi e o Maurício Ricardo já deu a sua versão sobre o fato. Confira aqui.
O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) anunciou nesta segunda-feira, dia 03/09, o bloqueio do pagamento do Bolsa Família para a costureira Cleusa Soares Massafera, mãe da ex-participante do programa Big Brother Brasil Grazielli Massafera. Desde que sua filha ficou em segundo lugar na quinta edição do programa e se tornou uma celebridade nacional, Cleusa deixou de atender ao critério para receber a bolsa (renda mensal por pesoa de até R$ 120). Grazi, além de ter ganhado R$ 700 mil para posar para a revista "Playboy", é contratada da Rede Globo e faz campanhas publicitárias. Leia mais aqui.

Sessão pipoca com uma turma de Luluzinhas. Nesse fim de semana fui assistir "Os Simpsons, o filme" com Livia, Gilca, Janett e Fernanda. Além da ótima companhia, o longa valeu muito a pena. A família Simpsons mostrou que ainda tem muito fôlego. Com as várias tiradas e referências à filmes, pessoas e situações da atualidade, o longa arranca gargalhadas de toda a sala de cinema. As piadas ininterruptas não deixam o clima cair.
O filme começa com Homer no cinema assitindo a um longa de "Comichão e Coçadinha" e chamando todos os espectadores de burros, afinal, 'quem pagaria para ver algo que passa na TV de graça?'. Depois é Bart que como castigo na escola escreve repetidas vezes no quadro negro "Não faça cópia pirata desse filme".
Mas o tema do filme é a ecologia. Na história, Homer se afeiçoa a um porco de estimação e ao despejar os excrementos do animal no lago provoca uma catástrofe ambiental. Ameaçada pela população furiosa, a família Simpson tenta reverter o desastre.
"Os Simpsons" - a série nasceu em 1987, quando foi solicitada a Matt Groening a criação de segmentos de animação para o programa de TV "The Tracy Ullman Show", transmitido pela Fox. Desde 1988, "Os Simpsons" é exibido na TV americana, em programas semanais de meia hora de duração.
******************
ENTREVISTA COM HOMER
Se você ainda não assistiu "Os Simpsons - o filme" ou mesmo que já o tenha visto, precisa ler essa entrevista exclusiva que com Homer Simpson, publica no USA Today pouco antes da estréia. Obviamente, as respostas são da equipe de Matt Groening, o criador da série.
Pergunta: Você ainda parece manter um ótimo relacionamento com Marge após 20 anos. Qual o segredo de um casamento saudável?
Homer: Tentar encontrar interesses comuns. Minha mulher e eu descobrimos que temos filhos da mesma idade, então isso nos dá algo sobre o que conversar durante os comerciais na TV.
Homer: Tentar encontrar interesses comuns. Minha mulher e eu descobrimos que temos filhos da mesma idade, então isso nos dá algo sobre o que conversar durante os comerciais na TV.
Pergunta: Você conseguiu manter seu visual ao longo dos anos. Como faz?
Homer: É um procedimento raro: lipo-injeção. Ei, eles têm que fazer alguma coisa com toda aquela gordura que tiram das pessoas.
Homer: É um procedimento raro: lipo-injeção. Ei, eles têm que fazer alguma coisa com toda aquela gordura que tiram das pessoas.
Pergunta: Há alguma coisa que você não comeria?
Homer: Minha cabeça. Preciso dela para comer.
Homer: Minha cabeça. Preciso dela para comer.
Pergunta: Sua ficha na usina nuclear de Springfield é totalmente manchada. Como você nunca foi demitido?
Homer: Ainda trabalho na usina porque o chimpanzé que treinaram para fazer meu trabalho foi promovido. Eu agora me reporto a ele. E todo ano tenho que ir à estúpida festa de natal dele.
Homer: Ainda trabalho na usina porque o chimpanzé que treinaram para fazer meu trabalho foi promovido. Eu agora me reporto a ele. E todo ano tenho que ir à estúpida festa de natal dele.
Pergunta: Quais são suas posições políticas?
Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.
Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.
Livros de história, literatura, artes, didáticos, para-didáticos, universitários... Para quem quer incrementar a biblioteca com títulos atualizados e de baixíssimo custo, começa hoje a Feira Nacional do Livro, a Fenalivro 2007, que acontecerá até 9 de setembro, no Sebrae. A feira é uma oportunidade de encontrar livros por preço bem menor que o de mercado, com títulos saindo a partir de R$ 0,50, o consumidor poderá fazer a festa com livros bem abaixo do preço de mercado.
SERVIÇO:
Fenalivro 2007 - Feira Nacional do Livro - De 31 de agosto a 9 de setembro, de 9h às 22h, no Centro de Negócios do Sebrae (Av. Monsenhor Tabosa, 777 - Praia de Iracema). A entrada na feira é gratuita. Informações: 3094.4419/ 3086.5221/ 8875.2572 ou www.cbraex.com.br.
SERVIÇO:
Fenalivro 2007 - Feira Nacional do Livro - De 31 de agosto a 9 de setembro, de 9h às 22h, no Centro de Negócios do Sebrae (Av. Monsenhor Tabosa, 777 - Praia de Iracema). A entrada na feira é gratuita. Informações: 3094.4419/ 3086.5221/ 8875.2572 ou www.cbraex.com.br.
Dia desses disse a alguém que "amo Neruda". Depois pensei, "como nunca postei Neruda?". De repente instalou-se a crise de consciência, que se dissipará agora com o Poema 20, do livro "Veinte poemas y una canción desesperada" (1924).
O poema vai contra o que aprendemos, como por exemplo que não devemos repetir versos, mas é Neruda e ele torna maravilhosa essa repetição. Como acho que nenhuma tradução é digna do seu poema, o transcrevo em espanhol e, também, disponibilizo uma das muitas versões que encontrei no You Tube da poesia.
Puedo escribir los versos más tristes está noche.
Escribir, por ejemplo: «La noche esta estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos».
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
O poema vai contra o que aprendemos, como por exemplo que não devemos repetir versos, mas é Neruda e ele torna maravilhosa essa repetição. Como acho que nenhuma tradução é digna do seu poema, o transcrevo em espanhol e, também, disponibilizo uma das muitas versões que encontrei no You Tube da poesia.
Puedo escribir los versos más tristes está noche.
Escribir, por ejemplo: «La noche esta estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos».
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.
Diamante de Sangue
Sem dúvida, o melhor filme que assisti em todo o ano. Arrependi-me de ter esperado tanto para vê-lo. O DVD estava ali ao alcance da minha mão na estante, mas eu teimava emir colocando outros na frente. Sem alternativa assisti e deparei-me com uma fotografia deslumbrante de Serra Leoa e uma história que além de emocionar, nos leva a refletir sobre o real valor do dinheiro, da vida e o valor da família, tão bem preservado na fé do personagem Solomon Vandy (Djimon Hounson), que em vários momentos repete sua crença no futuro de seu filho e de seu país que seria um “paraíso” logo que a guerra civil terminasse. Com Diamante de Sangue também consegui disasociar Leonardo diCaprio, que faz Danny Archer, do esteriótipo de Jack em Titanic.
O filme recebeu cinco indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Melhor Ator Coadjuvante (Djimon Hounson), Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Edição de Som. Foi indicado ainda ao Globo de Ouro de Melhor Ator - Drama (Leonardo DiCaprio).
Ficha Técnica
Título Original: Blood Diamond
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 138 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Site Oficial: www.diamantedesangue.com.br
Direção: Edward Zwick
Fotografia: Eduardo Serra
Elenco
Leonardo DiCaprio (Danny Archer)
Jennifer Connelly (Maddy Bowen)
Djimon Hounson (Solomon Vandy)
Kagiso Kuypers (Dia Vandy)
Arnold Vosloo (Coronel Coetzee)
Sinopse
Serra Leoa, final da década de 90. O país está em plena guerra civil, quando uma tropa da milícia invade uma aldeia, o pescador Solomon Vandy (Djimon Hounson) é separado de sua família, que consegue fugir. Solomon é levado a um campo de mineração de diamantes, onde é obrigado a trabalhar. Lá ele encontra um diamante cor-de-rosa e consegue escondê-lo, mas é descoberto por um integrante da milicia. Neste momento ocorre um ataque do governo, que faz com que Solomon e vários dos presentes sejam presos. Ao chegar na cadeia conhece Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex-mercenário nascido no Zimbábue que se dedica a contrabandear diamantes para a Libéria, de onde são vendidos a grandes corporações.
***************
300
Eu já estava há tempo querendo ver “300”, afinal todos que assistiam teciam elogios. De fato, é filme bem peculiar. De todos que vieram de estórias de quadrinhos, este foi o único que não mudou de linguagem para se enquadrar às telas. Ao contrário, você “lê” os quadrinhos na tela, tanto pela linguagem visual como de linguagem. No final, os mais curiosos, devem ficar sedentos pela história grega. Vale a pena assistir.Ficha Técnica
Título Original: Blood Diamond
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 138 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2006
Site Oficial: www.diamantedesangue.com.br
Direção: Edward Zwick
Fotografia: Eduardo Serra
Elenco
Leonardo DiCaprio (Danny Archer)
Jennifer Connelly (Maddy Bowen)
Djimon Hounson (Solomon Vandy)
Kagiso Kuypers (Dia Vandy)
Arnold Vosloo (Coronel Coetzee)
Sinopse
Serra Leoa, final da década de 90. O país está em plena guerra civil, quando uma tropa da milícia invade uma aldeia, o pescador Solomon Vandy (Djimon Hounson) é separado de sua família, que consegue fugir. Solomon é levado a um campo de mineração de diamantes, onde é obrigado a trabalhar. Lá ele encontra um diamante cor-de-rosa e consegue escondê-lo, mas é descoberto por um integrante da milicia. Neste momento ocorre um ataque do governo, que faz com que Solomon e vários dos presentes sejam presos. Ao chegar na cadeia conhece Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex-mercenário nascido no Zimbábue que se dedica a contrabandear diamantes para a Libéria, de onde são vendidos a grandes corporações.
***************
300
Ficha Técnica
Título Original: 300
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: wwws.br.warnerbros.com/300
Direção: Zack Snyder
Elenco
Gerard Butler (Rei Leônidas)
Lena Headey (Rainha Gorgo)
David Wenham (Dilios)
Dominic West (Theron)
Vincent Regan (Capitão)
Michael Fassbender (Stelios)
Rodrigo Santoro (Xerxes)
Sinopse
O rei Leônidas (Gerard Butler) e seus 300 guerreiros de Esparta lutam até a morte contra o numeroso exército do rei Xerxes (Rodrigo Santoro). O sacrifício e a dedicação destes homens uniu a Grécia no combate contra o inimigo persa.
***************
O Último Beijo
Apesar do título clichê, “ O Último Beijo” é uma história interessante, que nos lembra: “todos temos que crescer”. Pode ser com 30 anos ou mesmo com 15 anos. O fato é que em algum momento, temos que fazer nossas escolhas e enfrentar as conseqüências delas. Na história, um homem beirando os 30 anos, prestes a enfim se casar, percebe que uma jovem de 18 anos com quem flertou na festa de um amigo pode ser sua última oportunidade de liberdade antes de assumir as responsabilidades de marido e pai. Além disso, a paternidade parece ser o primeiro passo rumo à uma vida medíocre e suburbana, algo que nunca agradou Carlo.
Ficha Técnica
Título Original: L'Ultimo Bacio
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 115 minutos
Ano de Lançamento (Itália): 2001
Site Oficial: www.lultimobacio.it
Direção: Gabriele Muccino
Elenco
Stefano Accorsi (Carlo)
Giovanna Mezzogiorno (Giulia)
Stefania Sandrelli (Anna)
Marco Cocci (Alberto)
Pierfrancesco Favino (Marco)Sabrina Impacciatore (Livia)
Ficha Técnica
Título Original: L'Ultimo Bacio
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 115 minutos
Ano de Lançamento (Itália): 2001
Site Oficial: www.lultimobacio.it
Direção: Gabriele Muccino
Elenco
Stefano Accorsi (Carlo)
Giovanna Mezzogiorno (Giulia)
Stefania Sandrelli (Anna)
Marco Cocci (Alberto)
Pierfrancesco Favino (Marco)Sabrina Impacciatore (Livia)
O que há de errado nas palavras: antiguidade, liquidação, enjoo e leem. Pois bem. Acertou quem sentiu falta do trema nas duas primeiras palavras e do acento circunflexo nas duas últimas. Pelas normas gramaticais vigentes, da forma como foram escritas, as palavras estão incorretas. Mas existe um acordo firmado entre os oitos países no mundo cujo idioma é o Português que propõe uma reforma ortográfica. Quando ela entrar em vigor, as quatro palavras acima passarão a ser consideradas corretas.
É isso aí, quando você pegar um livro e ler essas palavras acentuadas vai achar tão estranho quando encontra hoje em alguma publicação palavras como “êle" ou “dêle". Mas não precisa de pressa, pois não há uma data para a reforma entrar em vigor. Segundo o MEC, a previsão é de que o acordo comece a valer em 2009 e até 2011 todos os livros didáticos brasileiros estejam adaptados às novas regras.
MUDANÇAS
Fim do trema, presente hoje em palavras como “lingüiça”;
Novas regras para o emprego do hífen;
Inclusão das letras w, k e y ao idioma;
Novas regras de acentuação, em que palavras como idéia e assembléia perdem o acento agudo, entre outras modificações.
Fonte: Ministério da Educação (MEC)
É isso aí, quando você pegar um livro e ler essas palavras acentuadas vai achar tão estranho quando encontra hoje em alguma publicação palavras como “êle" ou “dêle". Mas não precisa de pressa, pois não há uma data para a reforma entrar em vigor. Segundo o MEC, a previsão é de que o acordo comece a valer em 2009 e até 2011 todos os livros didáticos brasileiros estejam adaptados às novas regras.
MUDANÇAS
Fim do trema, presente hoje em palavras como “lingüiça”;
Novas regras para o emprego do hífen;
Inclusão das letras w, k e y ao idioma;
Novas regras de acentuação, em que palavras como idéia e assembléia perdem o acento agudo, entre outras modificações.
Fonte: Ministério da Educação (MEC)
Qualidade de vida comprometida. É, eu tenho rinite alérgica e nem o spray nasal está dando conta nesse período de agosto, quando começam as chuvas do cajú e de sei lá mais o quê por aqui.
Assim, estou com um monte de coisas que gostaria de postar, mas sem coragem para ao menos ligar o computador. Os momentos livres, estou passando na cama ao lado de uma infusão de eucaliptos, pois para piorar minha situação sou alérgica a um monte de remédio e tenho que me virar como posso para enfrentar esses dias de "atchim" de um lado e "saúde" do outro.
Assim, estou com um monte de coisas que gostaria de postar, mas sem coragem para ao menos ligar o computador. Os momentos livres, estou passando na cama ao lado de uma infusão de eucaliptos, pois para piorar minha situação sou alérgica a um monte de remédio e tenho que me virar como posso para enfrentar esses dias de "atchim" de um lado e "saúde" do outro.
"Apesar da motivação divulgada, os familiares das vítimas acabaram chegando atrasados à manifestação e ficaram barrados do palco, ouvindo o hino da rampa de acesso. Eles se queixaram que faltou transporte para levá-los do hotel para o centro de São Paulo.
Foi um protesto diferente, com direito a fotógrafos da revista de celebridades Caras, equipe do programa "TV Fama", bolsas Prada e óculos Dior para as mulheres e blazer com abotoaduras, gel no cabelo e colarinho branco para os homens."
*** Trecho de matéria publicada no UOL Notícias. Preciso falar mais sobre os "cansados" da "sociedade civil" que foi "protestar" na tarde de hoje??? Só que lá, certamente, não tinha nenhum beneficiado do Bolsa Família, nenhum jovem que pôde retomar os estudos com o pró-uni, nem alguém que recebeu tratamento dentário gratuito do Brasil Sorridente ou comprou remédio a preço simbólico nas farmácias populares.
Foi um protesto diferente, com direito a fotógrafos da revista de celebridades Caras, equipe do programa "TV Fama", bolsas Prada e óculos Dior para as mulheres e blazer com abotoaduras, gel no cabelo e colarinho branco para os homens."
*** Trecho de matéria publicada no UOL Notícias. Preciso falar mais sobre os "cansados" da "sociedade civil" que foi "protestar" na tarde de hoje??? Só que lá, certamente, não tinha nenhum beneficiado do Bolsa Família, nenhum jovem que pôde retomar os estudos com o pró-uni, nem alguém que recebeu tratamento dentário gratuito do Brasil Sorridente ou comprou remédio a preço simbólico nas farmácias populares.
[Hoje não escrevo]
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.
E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...
Então hoje não tem crônica.
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.
E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...
Então hoje não tem crônica.
É, dia 16 de agosto parece ser um dia predestinado. É que hoje também é aniversário de Madonna. A diva pop está completando 49 anos, mas já pensa na festa que dará no próximo ano ao comemorar os 50. Jornais dão conta de que a contara pretende fazer uma grande festa no Central Park.
Até lá, os fãs podem festejar o aniversário de Madonna, conferindo as programações televisivas especiais. O canal a cabo A&E reapresenta o documentário "I'm going to tell you a secret" às 22h. Um pouco antes, às 21h45, a Multishow apresenta o mesmo documentário que acompanha Madonna na turnê "Re-invention Tour", em sete países, mostrando detalhes das apresentações.
Até lá, os fãs podem festejar o aniversário de Madonna, conferindo as programações televisivas especiais. O canal a cabo A&E reapresenta o documentário "I'm going to tell you a secret" às 22h. Um pouco antes, às 21h45, a Multishow apresenta o mesmo documentário que acompanha Madonna na turnê "Re-invention Tour", em sete países, mostrando detalhes das apresentações.

Como um homem, apesar de morto, permanece vivo no imaginário de milhões de pessoas em todo o mundo? Muitas delas sequer eram vivas quando ele morreu. Esse é o fenômeno Elvis Presley, falecido em 16 de agosto de 1977.
A idéia de que "Elvis não morreu", que a princípio possui a simples conotação relativa a eternidade de suas composições e de seu carisma, tem nos últimos meses se convertido em especulações sobre uma grande conspiração norte-americana que teria forjado a morte do cantor para retirá-lo do país e tratar de sua dependência química.
Verdade ou não, o certo é que profileram pela internet vídeos e blogs, afirmando que de fato, Elvis não morreu e mais, mora na Argentina. A euforia teve seu estopim com a publicação do livro "El Rey vive entre nosotros", do jornalista argentino Jerónimo Burgués.
A edição altino-americana da revista "Rolling Stones" também corobora para a idéia de que o rei segue vivo. Ela reabriu o caso alegando que há em Buenos Aires anúncios pelas ruas, colados nos postes de iluminação ao estilo "Procura-se", com uma foto da estrela do rock. A imagem mostra como estaria hoje, aos 72 anos, dando início a uma caçada a Elvis.
Para os interessados nessa polêmica toda, selecionei um material disponível na rede sobre o assunto:
[Blog] Elvis en Argentina
[Blog] El rey vive entre nosostros
Ao menos virtualmente, o astro aperece vivo hoje num dueto com a filha Lisa Marie no site da Spinner. O vídeo traz ela e Elvis cantando o clássico "In the Ghetto", de 1969. O site também disponibilizará uma entrevista com Lisa Marie, que conta como foi emocionante realizar o projeto.
Os lucros obtidos com a nova gravação serão revertidos para a construção de abrigos temporários para a população de Nova Orleans. O projeto deve ser similar ao Presley Place, um prédio de 12 apartamentos para desabrigados construído em Memphis em 2001. É, vivo ou morto, o fato é que Elvis alcançou a marca de mais de 1 bilhão de cópias vendidas e os ganhos com holsters não páram.
[Poema de sete faces]
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonastes
e sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonastes
e sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Para tudo se arranja uma data especial: dia do bombeiro, do padeiro, e, se há o dia dos namorados, por que não, o dia do solteiro?! Nada mais justo. Afinal, os solteiros também têm muito o que comemorar. Claro, que também há o que lamentar ao mesmo tempo, pois quem é solteiro sonha em deixar de ser. Talvez, por isso, o dia do solteiro seja um momento propício para sair na balada e quem sabe amanhã já não ser tão solteiro assim.
[Sentimento do Mundo]
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrado
sao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrado
sao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.
[Memória]
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Na próxima sexta-feira, dia 17 de agosto, se completam 20 anos sem Drummond, mas nem por isso, sem sua poesia e sem sua prosa. Essas permanecem. E por isso, iremos aqui durante toda a semana trazer um pouco mais de Drummond. A começar, um trecho de Resíduo:
(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.



