A todos esses seres meio-divinos, que sejam festejados amanha, 25 de julho, Dia Nacional do Escritor, e lembrados todos os dias, quando alguém ousar abrir um livro e "acender uma luz no espírito" (Pearl Buck).
Depois de pouco mais de um ano, é bom voltar e ver que a cidade manteve sua intensidade e identidade gravados como os ladrinhos das obras de Gaudí.

O que seria mais importante? A história ou saber contá-la. Os dois são importantes, sem dúvida, apesar de que eu acredite que saber contar às vezes, é o que vale mais. Agora imagine quando as duas coisas (uma boa história e um bom narrador) se encontram. É o caso de Gabriel García Márquez. Jornalista por formação, escritor por vocação, esse colombiano encanta o mundo com sua narrativa fácil e envolvente.
García Márquez não faz mistério, não faz rodeios. Diz-nos o que vai acontecer e a partir daí, o leitor, pode descansar da intriga e dedicar-se inteiramente a leitura para descobrir como tudo aconteceu, conhecer cada personagem e refazer aquele dia
Em 2008 conheci Agatha Christie. Até então não havia lido nada da autora britânica. Em parte por falta de oportunidade e em outra por falta de interesse. Afinal, sempre a tive catalogada em meu cérebro em um tipo de literatura que era não exatamente literatura, mas mero entretenimento para mentes vazias. Que engano...
Publicado em 1939, o livro que no original se chama “Ten Little Niggers”, causou polêmica nos Estados Unidos, por conta dos “negrinhos” do título. Por isso, no mercado americano, a obra levou o nome de “And Then There Were None”.
Sua vida pareceu-lhe pouca para seu ímpeto de criar. Tanto que criou outras vidas para seguir criando... Ficou famoso por seus heterônimos, o que foi sua principal característica e motivo de interesse por sua pessoa, aparentemente tão pacata. Os heterônimos mais conhecidos foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro.
"O poeta é um fingidor
Finge tão completamebte
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente"
"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas."
"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."

“La Catedral Del Mar”, de Idelfonso Falcones, é um romance histórico ambientado na Catalunya medieval. Um livro que alcançou um êxito tremendo não apenas na Espanha, mas em toda Europa. Antes mesmo de ser lançada, em 2006, a obra já havia sido traduzida para vários idiomas.
Sem dúvida, foi uma grande aposta da editora já que essa era a primeira investida de Falcones no mundo literário. Sem embargo não foi uma aposta no escuro. O livro vem na trilha de sucessos como “Pilares da Terra” e “Mundo sem fim” do britânico Ken Follett. E, claro, de seus leitores ávidos por desbravar seu passado através de apaixonantes histórias recheadas de intrigas e violência. Além disso, apesar de ambientadas em séculos remotos, essas obras falam de sentimentos que são experimentados pelos homens até hoje.
Como obra literária, o livro não é tão excepcional, mas tampouco decepciona. A trama é bem construída e envolvente. O leitor descobre as nuances da época feudal espanhola enquanto acompanha o valor de Arnau Etanyol em buscar sua liberdade. Nasceu servo da terra, mas seu pai, Bernat, fugiu com ele ainda recém-nascido para a cidade de Barcelona, onde segundo a lei, após viver um ano e um dia, seriam considerados cidadãos livres.
Mas as coisas não foram tão simples. Por quantas prisões um homem se encontra encarcerado em sua vida? Arnau foi servo da terra, da nobreza, de suas paixões e até mesmo de seu destino.
“Arnau, yo abandone cuanto tenía para que tu pudieras ser libre – le había dicho su padre no hacía mucho -. Abandoné nuestras tierras, que habían sido propiedad de los Etanyol durante siglos, para que nadie pudiera hacerte a ti lo que me habían hecho a mí, a mi padre y al padre de mi padre..., y ahora volvemos a estar en las mismas, al albur capricho de los que se llaman nobles; pero con una diferencia: podemos negarnos. Hijo, aprende a usar la libertad que tanto esfuerzo nos ha costado alcanzar. Sólo a ti corresponde decidir.
¿De veras podemos negarnos, padre? – Las botas Del soldado volvieron a pasar frente a sus ojos -. No hay libertad con hambre. Vos ya no tenéis hambre, padre. ¿Y vuestra libertad?” (Pág. 183)
Todas as intempéries por as quais passou Arnau foram acompanhadas por sua mãe, a Virgem do Mar, cuja Catedral foi construída durante os 55 anos em que se passa a história. Uma Catedral construída pelo povo e para o povo. Ali, Arnau depositou seu sangue, sua fé e seu trabalho.
“- La gente se arrodilla en el suelo – le dijo también en un susurro señalando a los parroquianos -, pero además están rezando.
- ¿Y qué vas a hacer tu?
- Yo no rezo. Estoy hablando con mi madre. Tú no te arrodillas cuando habla con tu madre, ¿verdad?
Joanet lo miró. No, no lo hacía...
(...)
Arnau a través de la oscuridad, el aire y el titilar de las decenas de velas, observó como los labios de la pequeña figura de piedra se curvaban en una sonrisa.
-¡Joanet!
-¿Qué?
Arnau señaló a
********
FICHA TÉCNICA
Título: La catedral Del Mar
Autor: Idelfonso Falcones
Editora: De Bolsillo
Ano da Publicação: 2008
Primeira Edição: 2006
ISBN: 978-84-8346-619-3
700 páginas

O último herói da Marvel a parar na grande tela é Iron Man, o milionário da indústria de armas Tony Stark vítima de um atentado no Afeganistao, mantido preso e obrigado a montar um míssil. No entanto, Stark resolve utilizar o material bélico facilitadi para criar uma espécie de armadura para fugir do cativeiro.
Como nao poderia deixar de ser, esse episódio - e o agravante de levar em seu coraçao estilhaçoes de uma bomba que podem matá-lo se chegar ao coraçao - mudam a sua vida. Agora, o jovem fútil e rico, o "homem que tem tudo e nao tem nada", se transforma no Homem de Ferro, que segundo suas próprias palavras "tem mais para oferecer ao mundo que criar armas". Um dos sucessivos clichês que encontramos no filme como quando ele pede um cheesburger logo que chega aos Estados Unidos depois de conseguir fugir do cativeiro ou comenta que "eu deveria estar morto. Isso deve ter acontecido por alguma razao!"
Pela necessidade de explicar ao espectador a origem de nosso herói, faz com que a narrativa se torne um pouco lenta em alguns momentos. O melhor do filme, sem dúvida, é o enfrentamento final de nosso herói e seu antagonista. Destaque aos efeitos especiais, muito bem feitos e a armadura do nosso Homem de Ferro, belíssima! O modelo dourado e vermelho foi inspirado no visual atual dos quadrinhos, tal como moldado pelo desenhista Adi Granov.
FICHA TÉCNICA
Título: Homem de Ferro
Gênero: Açao
Diretor: Jon Favreau
ELENCO
Robert Downey Jr - Tony Stark / Iron Man
Terrence Howard - Jim Rhodes
Gwyneth Paltrow - Virginia "Pepper" Potts
Jeff Bridges - Obadiah Stane / Iron Monger
Samuel L. Jackson - Nick Fury

Em tempos de câmeras digitais sendo disparadas sempre e em todo o lugar, foi maravilhoso ir a exposiçao do fotografo israelense Ilan Wolff. Conhecido como artesao da fotografia, esse artista utiliza a antiga técnica da câmera escura para o seu trabalho.
Estao em exposiçao várias obras obtidas através de latas e caixas de sapatos, além do uso de "forças da natureza", sao fotos conseguidas através da utilizaçao dos quatro elementos (água, terra, fogo e ar) em contato com o papel fotográfico. Sao criaçoes puras sem Photoshop ou qualquer tipo de tecnologia.
A exposiçao dedica uma boa parte para fotografias tiradas em sua estada na cidade de San Sebastián. Uma delas, um grande mural de 30 metros por 1,27, que tirou sob a luz da lua no estádio de Anoeta com a ajuda de quarenta voluntários em setembro do ano passado.
Sem dúvida, uma mostra onde a protagonista nao é outra senao a fotografia.
- La humanidad debe vivir en un mundo unido, donde se mezclen las razas, lenguas, costumbres y sueños de todos los hombres. El nacionalismo repugna a la razón. En nada beneficia a los pueblos. Sólo sirve para que en su nombre se comentan los perores abusos."
(Trecho do livro De amor y de sombra, de Isabel Allende)
Paulo Henrique Amorim, em entrevista à Revista Fórum

Dirigido por Francis Lawrence ("Constantine"), "Eu Sou a Lenda" é a terceira adaptação do livro homônimo de Richard Matheson para o cinema. Em 1964, Vincent Price ("Edward Mãos de Tesoura") estrelou "Mortos Que Matam" e, em 1971, Charlton Heston ("Planeta dos Macacos") protagonizou "A Última Esperança da Terra".
O início é empolgante e a trama parece estar bem amarrada, com flashbacks que explicam algumas coisas, vão deixando o espectador curioso por saber o que havia acontecido com a raça humana. No entanto, o enredo não convence. Todos os dias Neville sai para buscar comida nas casas, caçar animais e “alugar” DVDs numa locadora repleta de manequins com os quais ele trava pequenos diálogos.
Além disso, surgem dois personagens do nada, que estavam em um barco de evacuação da cruz vermelha que saiu de São Paulo, em trânsito para a comunidade de sobreviventes de Vermont certos de que Deus tem um plano para todos. Isso mesmo... O diálogo não convence, na verdade, está completamente deslocado, tendo em vista que estamos falando de um mundo pós-apocalíptico e de um cientista...
Isso sem mencionar o final, que por certo não irei contar aqui, mas que é decepcionante com aquelas narrações em off explicando o filme, para caso alguém não tivesse entendido...
Ficha Técnica
Título Original: I Am Legend
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: wwws.br.warnerbros.com/iamlegend
Distribuição: Warner Bros. Pictures
Direção: Francis Lawrence
Elenco:
Will Smith (Robert Neville)
Alice Braga (Anna)
Salli Richardson (Ginny)
Paradox Pollack (Alpha)
Charlie Tahan (Ethan)
Michael Ciesla (Refugiado
Comecei a leitura de “El niño con el pijama de rayas” no sábado, depois de ouvir várias opiniões favoráveis ao livro. Na verdade, não tinha idéia do que se tratava, mas aqui na Espanha, é um best-seller e diante das circunstancias, fiquei imaginando o que teria esse livro, porque suscita tanta emoção nas pessoas etc.Na história, nosso protagonista tem que mudar-se com sua família para o campo de concentração de Auschwitz. O menino deixa para trás a vida tranqüila em Berlin, em uma casa estupenda, para viver junto a uma cerca do campo de concentração. Da janela de seu quarto, vê muitos homens e crianças com “pijamas listrados”. O que desperta sua curiosidade e o faz explorar o que há do outro lado da cerca, onde conhece um dos meninos com pijama de listras.
Apesar do enredo criativo, o autor não conseguiu me envolver na trama e emocionar-me como outros ao tratar do mesmo tema – “O Diário de Anne Frank” e “A menina que roubava livros”. O que poderia ser uma visão cândida, me parece mais ignorante, já que apesar da pouca idade, é praticamente impossível que o menino seguisse por toda a obra sem dar-se conta do que passava do outro lado do alambrado.
“Seu irmão se aproximou da janela e, enquanto contemplava aquelas centenas de pessoas que andavam e perambulavam distantes, reparou que todos os meninos pequenos, os meninos não tão pequenos, os pais, os avôs, os tios, os homens que viviam nas ruas e que pareciam não ter família, usavam um pijama cinza de listras e um gorro cinza de listras.
- Que curioso, murmurou e se afastou da janela.”
*******************
FICHA TÉCNICA
Título: El niño con el pijama de rayas
Autor: John Boyne
Editora: Salamandra
ISBN: 978-84-9838-079-8
Número de Páginas: 224
Aqui em Donostia/San Sebastián as principais livrarias montaram stands numa as principais praças da cidade e venderam com desconto todos livros. Foi um momento que misturo prazer e dor. A parte boa, claro, era a abundancia de livros a nossa disposição em um único lugar. Já a ruim, era não ter dinheiro para levar todos...
Eu rodei toda a feira para me presentear com apenas dois, mas quero crer que foram bem escolhidos: “La Catedral del Mar”, do escritor catalão Ildefonso Falcones; e o clichê “El amor en los tiempos del Cólera”, de García Márquez.
Eu disse, oportunidade? Ah, foi isso que eu pensei até ler “Zé Miúdo”... Por Deus!!! É Zé Pequeno, porra!
E não conseguir ir mais além...

Ao contrário, nesse mundo mágico com fadas e faunos, a menina, que acredita-se ser uma princesa do mundo subterrâneo que fugiu a muito tempo, terá que vencer três provas para poder regressar a esse mundo mágico.
Na realidade, a jornada empreendida pela menina pode ser comparada, a grosso modo, com a luta dos rebeldes contra o capitão Vidal. São sobreviventes que, apesar de não verem muito além da dor e do desespero e não vislumbrarem uma vitória real, seguem persistindo. Esse núcleo do filme é extremamente humano e conflituoso, que cria no longa um contexto social e histórico muito rico.
Não obstante, o filme sinaliza para alternativas mais esperançosas. Num determinado momento, quando Ofélia está presa em seu quarto, a jovem diz ao fauno que não pode sair, porque “a porta está fechada” e o fauno entregando-lhe um giz mágico lhe responde “pois faça a sua própria porta”. Não faltam, ainda, aquela que se sacrifica pelo inocente, o castigo do vilão e o final feliz da protagonista.

Um dos grandes romances da literatura inglesa, "Razao e Sensibilidade", de Jane Austen, explora a sutileza e ironia da sociedade no século XVIII, através das irmas Elionor e Marianne. Bonitas e inteligentes, mas antagônicas em personalidade, representam duas respostas femininas (razao e sensibilidade) à hipocrisia de um tempo quando o que mais importava eram os bens materiais e as posiçoes sociais. No entanto, apesar de reagirem de forma distinta, quando estao diante do amor, as irmas respondem aos sentimentos de forma semelhante.
Algumas citaçoes do livro:
"Nao é o momento ou a oportunidade que geram amizade e confianza, e sim, a inclinaçao de um ser a outro. Sete anos sao, talvez, insuficientes para que duas pessoas possam se conhecer, nao obstante, para outras bastam sete dias". (pág. 54)
"O triunfo de me ver vencida será acessível a todos, Elionor. Os que sofrem nao podem ser tao orgulhosos e independentes como lhes pareçam (somente podem resistir ao insulto ou devolver a mortificaçao)." (pág. 154)
"Depois de tudo, Marianne, o que me parece atraente na idéia de um só amor constante, tudo aquilo que se pode dizer e imaginar de uma felicidade casada com uma só pessoa, é um sonho que nao se encaixa na realidade." (pág. 213) Aos interessados em ter o e-book de "Razao e Sensibilidade", é só clicar aqui. É necessário ter o programa E-mule instalado em seu computador.
******************
DADOS TÉCNICOS
Título: Sentido y Sensibilidad (lido em Castelhano)
Autora: Jane Austen
Editora: Plaza Janés
Ano da Publicaçao: 1998
ISBN: 84-01-01108-6
312 páginas
Jane Austen
O livro é um relato comovente, pessoal e íntimo. Foi escrito quando estava em Madri (Espanha) para o lançamento de Plano Infinito e sua filha, Paula, entrou em coma. Junto ao leito da filha ela começou a escrever em seu caderno de recordações suas angustias enquanto lembrava de outros momentos vividos em família.
“Escuta, Paula, vou lhe contar uma história para que quando acorde não esteja tão perdida”.
Mas o que poderia ser um mero relato num caderno, com o passar dos meses, foi se convertendo num livro revelador.
“- Porque chora? – me perguntou com uma voz desconhecida.
- Porque tenho medo. Te amo, Paula.
- Eu também te amo, mamãe...
Isso foi o último que me disse, filha. Instantes depois você delirava recitando números, os olhos fixos no teto. Ernesto e eu ficamos ao seu lado durante toda à noite, consternados, revezando a única cadeira disponível, enquanto em outras camas da enfermaria agonizavam uma anciã, gritava uma mulher demente e tentava dormir uma cigana desnutrida e marcada por golpes”.
Acompanhamos essa experiência, que a própria Isabel define como de “imobilidade”.
“Passei quarenta e nove anos perseguindo metas que não me lembro, em nome de algo que sempre estava mais adiante. Agora estou obrigada a permanecer quieta e calada, por muito que corra não chego a nenhum lugar, se grito ninguém me escuta. Você tem me dado silencio para examinar minha trajetória nesse mundo, Paula, para retornar ao passado verdadeiro e ao passado fantástico, recuperar as memórias que outros esqueceram, lembrar o que nunca aconteceu e que talvez nunca acontecerá”.
********************
DADOS TÉCNICOS
Título: Paula
Autora: Isabel Allende
Editora: Plaza & Janés Editores S.A.
Ano de publicação: 1994
ISBN: 84-01-38523-7
366 Páginas
Os espanhóis levam mesmo a sério esta história de "Vacaciones de Semana Santa" e eu, que nao sou boba nem nada, aproveitei ao máximo esse período. Viajei pra Itália no dia 15 e por conta de ter perdido o vôo do dia 25, retornei apenas ontem às terras de Cervantes.Foram dias intensos e até agora estou surpresa com a quantidade de experiencias que podemos ter em tao pouco tempo. Houve alegria e também stress. Sol, chuva, frio e neve. Ah, teve muita massa e, ainda, McDonalds e sanduiche de atum.
Teve caipirosca, vinho, licor, verdi, mosto, além de suco de pera. Velhos e novos amigos... Almoço de Páscoa em família e muito chocolate. Passei por Roma, Firenze, Pisa e San Marino. Viajei de ônibus, de trem e de aviao...
E consegui voltar viva. Talvez mais viva do que quando parti.

Apesar de ter acompanhado pouco mais de um mês e meio o período que antecedeu o processo eleitoral em si, posso dizer que a vitória do socialista se deu em parte nao à convicçao da populaçao em suas propostas, mas ao medo de que os populares voltassem ao poder.
Isso me lembrou um pouco as últimas eleiçoes no Brasil. Depois da grande festa democrática-popular que acompanhamos em 2002, parte dos brasileiros em 2006 confirmou seu voto ao candidato do Partido dos Trabalhadores por receio que os tucanos e DEMagogos voltassem a governar o País. O que me leva a crer que essa atitude desesperançada parece ressoar em todos os cantos.
Com racionalidade e uma frieza até mesmo venenosa, o autor investiga o lado mais tenso das relações: quando o amor começa a se transformar em uma luta de trincheiras e os vínculos de um casal se aproximam perigosamente do desencanto bélico.
"Minha esposa se chamava Flora. Decidi matá-la no dia em que, levantando a camisola até a altura da cintura, sentou-se de cavalinho e beliscou os peitinhos com a evidente intenção de agradarme".
É assim que começa essa história. O autor não faz segredo do fato que está por vir, porque o interesante não é o feito em si, mas como o nosso personagem, um cinquentão vendedor de enciclopédias, chega a essa decisão. Tampouco pondera as palavras. Daí, a inquietude que o livro proporciona. É uma obra rotunda e irônica que nos mostra o lado mais ácido do escritor Ramón Saizarbitoria.
***************
FICHA TÉCNICA
Título: Amor y Guerra
Autor: Ramón Saizarbitoria
Editora: Espasa Narrativa
ISBN:84-239-7952-0
Ano da publicação: 1999
238 páginas
Soto estava no Palácio, pois era médico particular e grande amigo do então presidente Salvador Allende. Assim, pôde narrar os fatos que antecederam o golpe até o dia de sua execução de um ponto de vista privilegiado.
Logo na introdução, Soto deixa claro que o livro não é neutro. Ao contrário, "está comprometido com as batalhas de um povo consciente, que se esforá por ser livre e soberano e ganhar, no futuro, o direito a decidir se destino". Segundo ele, o livro é um testemunho e, também, uma denúncia da traiçao de Pinochet. Diz, ainda, que o livro se publica na Espanha porque acredita que tinha que ser num ambiene de liberdade de pensamento e tolerancia, coisa que ainda nao existe no Chile.
Apesar de médico por formação, Soto consegue desenvolver uma narrativa envolvente e dinâmica, além de emocionante carregada de recordações.
Hortensia Bussi, esposa de Salvador Allende, assina a apresentação do livro.
********************
FICHA TÉCNICA
Título: El último día de Salvador Allende - crónica del asalto al palácio de la Moneda contada por sus protagnistas
Autor: Óscar Soto
Editoras: Ediciones El País y Grupo Santillana de Ediciones
ISBN: 84-03-59387-2
Número de páginas: 281
Ano da publicação: 1998
Quero dizer que a sensação que tenho é de que Casto desde que se afastou e deixou seu irmão Raul no poder interinamente já dava início à “transição”. Uma transição a seu modo, ou seja, dirigida por ele à distância. Um processo que segue. Talvez, vislumbramos agora uma segunda etapa desse afastamento, agora não apenas físico, mas institucional.
De todos os modos, é difícil para eu imaginar que Fidel se permitisse estar à margem de qualquer processo em Cuba, quanto mais um processo de mudança. Assim que percebo os acontecimentos como dentro de uma estratégia do Comandante.

Os garotos conhecem um poderoso chama indígena, visitam a Cidade das Bestas, e tornam-se amigos do “povo da neblina”, uma tribu indígena que tem o poder de tornar-se invisível e assim, tem se mantido a milhares de anos longe dos homens brancos e mantido suas traduções.
“La ciudad de las bestias” é o primeiro livro de uma trilogía. O segundo é “El Reino del Dragón de Oro”, o qual já falamos aqui.
Trecho escolhido:
“Aos pés do tepui, percebeu que a vida estava cheia de surpresas. Antes, não acreditava no destino, parecia-lhe um conceito fatalista, acreditava que cada um era livre para viver como quisesse e ele estava decidido a fazer algo bom da sua, a triunfar e ser feliz. Agora, tudo isso parecia absurdo. Já não podia confiar somente na razão, tinha encontrado o território incerto dos sonhos, da intuição e da magia. Existia um destino e às vezes teria que se lançar à aventura e sair improvisando de qualquer jeito, tal como havia feito quando sua avó lhe lançou à água aos quatro anos e teve que aprender a nadar. Não tinha mais remédio que mergulhar nos mistérios ao seu redor”. (Pág. 188 - Tradução minha)
****************
Dados técnicos:
Título: La ciudad de las bestias
Autora: Isabel Allende
Editora: Areté
Ano da publicação: 2002
ISBN: 84-01-34166-3
Fica a dica para quem quiser conferir.

Em Saraminda, Sarney evidencia sua capacidade em reconstituir o período histórico onde transcorre a história: o garimpo do Amapá, quando a região estava em disputa entre Brasil e Guiana Francesa, no final do século XIX. Uma terra onde o ouro brotava no meio da mata hostil e determinava a vida das pessoas. Poucos se fizeram ricos com ele como Cleto Bonfim e Clément Tamba. A maioria, morria pela sede do ouro por sangue, como dizia o capataz de Cleto, Celestino Gouveia.
Mas no meio da tristeza do garimpo surgiu Saraminda. Comprada por Bonfim por 10 quilos de ouro, essa creolé de pele negra, cabelos lisos negros, olhos verdes como esmeralda e seios da cor do ouro foi a vida e a perdição de Bonfim.
Todo livro é uma obra aberta e em Saraminda isso fica explícito ainda mais. Sarney com uma narração fragmentada nos leva a conhecer a história por diferentes pontos de vista, que nem ao menos sabemos se são reais ou imaginários.
Na contracapa do livro, pergunta Carlos Heitor Cony se Saraminda foi uma Capitu que provoca a dúvida justiçada pelo dono de sua carne. Que o leitor decida...
Somente agora, quase um mes na Espanha é que começo a entender e, principalmente, a me permitir "desfrutar", ou seja, sair do trabalho às 15h e ir comer com direito a primeiro prato, segundo prato, sobremesa e café. Almoçar sem pressa, conversar e, se fizer bom tempo, sair para algum parques ou para a praia, dar uma volta na orla e ver o bonito que é a natureza. Parar em um banco e ficar simplesmente ali, sentada, observando o movimento das pessoas, o movimento da vida.

De fato, em “El Reino Del Dragón de Oro”, voltam a reunir-se os protagonistas do livro anterior, Alexander Cold, sua avó Kate e a amiga Nadia Santos, que vale lembrar é uma jovem indígena brasileira. Dessa vez, a aventura se desenrola na beleza nua e limpa das montanhas e vales do Himalaya, onde fica o Reino Proibido e seu Dragão de Ouro, que segundo dizem, é um talismã incrustado de pedras preciosas que pode prever o futuro e que mantinha a paz e o equilíbrio da região até então. Até então porque, agora, uma organização criminosa pretende roubar o Dragão de Ouro.
No livro, me mesclam à aventura e à fantasia, a sensibilidade dos ensinamentos budistas, levando os leitores a descobrirem o valor da compaixão, da natureza, da paz, enfim, da vida.
A jornalista e escritora chilena Isabel Allende foi reconhecida mundialmente após o grande sucesso de “La casa de los Espíritus”, livro que inaugurou uma brilhante trajetória literária e que figura como minha obra preferida. Entre outros títulos de sua autoria estão: “De amor y de sombra”, “Eva Luna”, “Cuentos de Eva Luna”, “El Plan Infinito”, “Paula”, “Afrodita”, “Hija de la Fortuna”, “Retrato em Sépia”, “La Ciudad de las Bestias” e “Mi Pais Inventado”.
Nesse mês de janeiro, eles distribuíram o conto “Sabor de Malta”, de Francisco M. López Serrano. Com o carnaval mates como fundo, o personagem Oliver Best inicia um processo de auto-destruição, após descobrir que está muito doente devido ao excesso uso de álcool.
Num tom sarcástico, o narrador onisciente, parece não se importar com a vida de Oliver ou com qualquer outra, resultado de ser um espectador há vários séculos do modo desolador de agir humano.
Quem quiser, está no site para impressão. É só conferir aqui.
A personagem Miss Marple vai passar uns tempos por lá para ver como está a amiga de infância, Carrie Louise, e tenta então ajudar a polícia a desvendar o que passa no lugar, pois Carrie quase é envenenada, seu marido sofre um atentado e seu enteado é assassinato...
A história é envolvente e muitos são suspeitos já que a casa vive cheia de gente. Mesmo assim, falta-nos um motivo convincente para todos esses crimes. Isso porque costumamos mirar o que nos parece real e isso nos distrai daquilo que consideramos ilusão, mas que podem muitas vezes nos falar bem mais do verossímil do que conseguimos crer.
Mas agora esse tabu foi quebrado. Em “É fácil matar”, o policial Luke Fizwilliam senta-se ao lado de uma senhora no trem com destino a Londres e escuta suas histórias sobre uma possível série de assassinatos que estaria ocorrendo em seu vilarejo. E que ela pretende denunciar a Scotland Yard. No dia seguinte, no entanto, Luke fica sabendo que a senhora morreu atropelada e começa a acreditar que pode haver um serial killer na cidadezinha do interior. Ele vai para lá, claro, para apurar tudo, fazendo-se passar por primo da noiva do homem mais rico da cidade.
Pode parecer uma história previsível, mas o assassino certamente não o é. Você tem que ir até o final para descobrir quem seria capaz de cometer tantos crimes sem deixar suspeitas.
Agatha Christie só não faz mistério quanto ao enredo. Vai direto ao assunto logo na primeira página e daí já começa a aguçar a curiosidade e o instinto investigativo dos leitores. É fácil descobrir o segredo de seu sucesso: uma história construída com rigor e personagens inusitados.

"Arredor de Mim" é agora internacional!!! Hehehe...
No entanto, imediatamente acima do verbete estava "despedaçar" que é "1.Partir em pedaços; partir, quebrar, dilacerar 2.Rasgar, esfrangalhar 3.Fig. Lancinar, pungir 4.Quebrar-se, partir-se 5.Quebrar-se com violência; rebentar(-se), arrebentar(-se).
Foi ai que percebi que havia encontrado a definição que precisava. Porque cada despedida, seja ela grande ou pequena, despedaça (dilacera, pungi, rebenta) com o nosso coração.
"Mar Adentro"
Talvez a história de um tetraplégico que luta na Justiça pelo direito de morrer já tenha sido tratada em outros filmes, então o que Mar Andentro traz de novo para ganhar o Oscar de Melhor Filme Extranjeiro e 14 Goyas?
Dirigido por Alejandro Amenábar (Os Outros), o longa não toma partido. Todo o tempo, lembra que não devemos formar juízos de valores e respeitar a opinião e sentimentos do outro. Além de não centrar-se em Ramón Sampedro, personagem de Javier Bardem, mas permitir vislumbrarmos os conflitos de outros personagens como a cunhada Manuela, o sobrinho Javier, as amigas Rosa e Julia, além do irmão de Ramón e de seu pai que sofre em silêncio com a determinação do filho em morrer.
SINOPSE: Ramón Sampedro (Javier Bardem) é um homem que luta para ter o direito de pôr fim à sua própria vida. Na juventude ele sofreu um acidente, que o deixou tetraplégico e preso a uma cama por 28 anos. Lúcido e extremamente inteligente, Ramón decide lutar na justiça pelo direito de decidir sobre sua própria vida, o que lhe gera problemas com a igreja, a sociedade e até mesmo seus familiares.
"A Rainha"
Com esse filme, Helen Mirren garantiu o Oscar de melhor atriz. O longa chama a atenção tanto por tratar de um fato real bem recente, que monopolizou a atenção de milhões de pessoas em todo o globo: a morte da Princesa Diana e a postura da família real britânica, frente o acontecimento. Em "A Rainha" podemos especular sobre as relações de poder e familiares do Palácio de Buckingham.
SINOPSE: Logo após a morte da princesa Diana a rainha Elizabeth II decide manter-se reclusa, juntamente com a família real. É quando o recém-empossado primeiro-ministro britânico tenta reatar os laços entre a realeza e a população. Dirigido por Stephen Frears (Sra. Henderson Apresenta) e com Helen Mirren e James Cromwell no elenco. Vencedor do Oscar de Melhor Atriz.
"A Estranha Perfeita"
Suspense com Halle Berry e Bruce Wills. A história é boa e o suspense é mantido até o final, com uma estratégica que pode desagradar a alguns. O diretor faz uma espécie de loteria de suspeitos. A cada momento, você muda de idéia, abrindo um grande leque de possibilidades para a identidade do assassino.
SINOPSE: Uma repórter decide investigar a possível ligação de um empresário da publicidade com o assassinato de sua amiga. Para tanto ela muda de identidade, buscando um meio de cercá-lo.
"O Código da Vinci"
Não li o livro e nem pretendo ler. Já havia ouvido falar da história e mesmo que o filme conseguia ser pior que o best-seller de Dan Brown. Mesmo assim, resolvi dar uma olhadinha e comprovei tudo que já havia escutado até agora.
SINOPSE: Robert Langdon (Tom Hanks) é um famoso simbologista, que foi convocado a comparecer no Museu do Louvre após o assassinato de um curador. A morte deixou uma série de pistas e símbolos estranhos, os quais Langdon precisa decifrar. Em seu trabalho ele conta com a ajuda de Sophie Neveu (Audrey Tautou), criptógrafa da polícia. Porém o que Langdon não esperava era que suas investigações o levassem a uma série de mensagens ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci, que indicam a existência de uma sociedade secreta que tem por missão guardar um segredo que já dura mais de 2 mil anos.

**** Trecho de "O monge e o executivo", de James C. Hunter, primeiro livro, ou melhor e-book, que leio em 2008. Por sinal, veio bem a calhar, pois estou a menos de 15 dias de minha ida à Espanha, onde cursarei um Máster em Comunicação Empresarial, por um ano.
Mário Quintana
Balanços não são de todo ruins, a não ser que nos tragam insatisfação com o que deixamos de fazer. E existe uma linha tênue que separa a alegria do que conquistamos e o vazio do que falta conquistar.
Seria bom se percebêssemos que precisamos de tão pouco e que a lista que projetamos todo ano é uma imposição desnecessária, pois o milagre da vida consiste em fazemos a nossa parte e ver como Deus vem e se encarrega do restante. Afinal, preparamos o ançol, mas é Ele quem nos fornece o peixe; compramos o biquini e Ele nos presenteia com o sol; tomamos vitamina C, mas é Ele quem nos cura; conhecemos pessoas, mas Ele as torna nossos irmãos; nascemos, mas Ele é quem nos dá a vida; morremos, mas é para Ele que voltamos.
A verdade, é que precisamos de muito pouco e na ânsia por encontrar a tal felicidade, perdemos a alegria do caminhar. Há um texto de Vinícius de Moraes que nos lembra de nossas reais necessidades. O texto chamado Libelo diz:
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar – e um barco com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar ? E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é para ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito...
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra -- um pedaço bem verde de terra -- e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim – que um jardim é importante – carregado de flor de cheirar ?
E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar mistério, que casa sem mistério não valor morar...
De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar -- basta olhar -- um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de paz e de bar ?
E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo?
De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? E enquanto pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino o carrega em sua onda sem rumo?
Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher -- as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo ..."
Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a terra roda?
Por que deitar agora?
Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?
Por que que a gente espirra?
Por que as unhas crescem?
Por que o sangue corre?
Por que que a gente morre?
Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve
Re...vei...llon?
***** Que em 2008 voltemos a ter 8 anos, com os mesmos olhos curiosos, os sonhos possíveis, o encantamento diante do mundo, a inteligência simples, a ingenuidade sincera e o sorriso largo. Um grande abraço a todos!

Segundo o diretor, Mike Newell, o filme teria tido a aprovação de García Márquez, que o teria assistido no México. No entanto, o produtor Scott Steindorff afirmou que, na ocasião, o escritor acenou com a mão e disse: “Agora que vocês fizeram metade do filme, vamos fazer a outra metade”. Se uma afirmação dessa é aprovação, já não sei o que é crítica.
Uma pena...
Gênero: Drama - Romance
Duração: 138 min
Origem: EUA
Estréia - EUA: 16 de Novembro de 2007
Estréia - Brasil: 25 de Dezembro de 2007
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Mike Newell
Roteiro: Ronald Harwood
Produção: Scott Steindorff
Um amor solidário e sensível às necessidades dos nossos irmãos; um amor que respeita a dignidade humana, compreensivo, capaz de partilhar, destinado a todos, como Jesus nos ensinou.
Que possamos sair de nosso individualismo e da nossa auto-suficiência para chegarmos até o outro e fazermos com que o espírito do Natal se prolongue por toda a nossa vida com a real presença de Emanuel (Deus conosco).
Meu sincero desejo que todos tenham um santo Natal!
**** É mesmo difícil compreender alguém que perde o presente, angustiando-se com um futuro que não depende dele. Mesmo assim, é difícil de controlar a confusão da mente...
**** De fato, não consigo imaginar nada que possa ser mais precioso do que essa alegria que sinto agora. Como disse também Schopenhauer, "A alegria é a felicidade imediata". E viva o imediatismo!!!
Bem, imbuída desse espírito da brincadeira do "amigo secreto", encontrei um texto que me fez relaxar e dar boas risadas. É do publicitário e cartunista Walmir Americo Orlandeli. Espero que ele também traga alegria para o dia de vocês.
**********
Só uma lembrancinha
Tempos difíceis, reclamava Osório.
Tempo em que pra arrumar um empreguinho mais ou menos era preciso travar uma batalha homérica, entre currículos, rezas e mandingas. Foram mil e quinhentos candidatos pra disputar apenas uma vaga. Mesmo assim, depois de cinco anos e meio fazendo trabalhinhos esporádicos pra ganhar a vida. Osório conseguiu. A vaga era dele.
Nem acreditava, parecia coisa de Papai Noel. Salário fixo, férias, benefícios e tudo mais que tinha direito. A felicidade era tanta que nem pensou duas vezes e já entrou num financiamento de um carro. Um Gol, branco, daqueles bolinha. Sempre quis ter um Gol bolinha. Agora sabia que podia arcar com as prestações, sem medo.
Entrou na empresa no início de dezembro, ainda estava naquela fase de adaptação, conhecer o pessoal... essas coisas. Logo na segunda semana já anunciaram que o tradicional "amigo oculto" que acontecia todo fim de ano, seria nos próximos dias. Osório nunca gostou muito dessa brincadeira, até porque era um predestinado a sair em desvantagem. Desde moleque sempre dava um presente melhor do que aquele que recebia. Comprava um jogo de tabuleiro e recebia uma lapiseira, dava uma camisa de marca e ganhava um porta retrato. Desenvolveu até um certo trauma pela coisa. Só topou participar por causa da mulher, que disse que pareceria anti-social, um novato não participar da festa da empresa. Mesmo assim decidiu que desta vez não levaria desvantagem. Desta vez seria diferente.
— Olhalá, olhalá... lá vem outro. Viu só o tamanho daquilo?
— Daquilo o quê, Neide?
— Do presente, oras bolas. Olha o tamanho do pacote que o cara fez. Ai, que vergonha, que vergonha...
— Vergonha do quê, mulher?? Tá doida?
— Osório, homem de Deus. Olhalá, tá todo mundo com cada pacote que mal dá pra carregar no braço. Tem embalagem aí que dá pra comprar uns cinco presentes igual esse seu. O seu presente é o único que dá pra trazer dentro do bolso. Imagine a vergonha que a gente não vai passar...todo mundo dando presentão... e você com essa merrequinha.
— Merrequinha... Essa é boa. Foram eles mesmo que falaram "é só uma lembrancinha", então, comprei uma lembrancinha e pronto.
— Eu sei, Osório, mas também não pode ser qualquer coisa, né? Por exemplo... ali. Tá vendo aquela moça?
— Sei, a Gerente de Vendas. Que que tem?
— Pois então, você acha que uma mulher com AQUELE par de brincos, usando AQUELE colar, em cima de um salto DAQUELA altura... vai ficar contando moedinhas pra comprar presente de amigo secreto?? Olha o nível desse povo.
— Azar o dela. Pra mim lembrancinha é lembrancinha e pronto. Tivesse fixado um valor, então. Oras bolas.
— Céus, quanta ignorância... Mas não fixam justamente por isso. Pra ver a consideração que cada um tem pelo seu amigo. Dando um presente bom, quer dizer que você acha a pessoa especial, agradável... que merece um presente bonitinho. Entende? Do contrário quer dizer que aquela pessoa não significa nada mais do que algumas moedinhas.
— Um chaveirinho do Corinthians.
— Como? — Meu amigo secreto vale um chaveirinho do Corinthians.
— MEU DEUS! Diz que é mentira!!!! Você NÃO COMPROU um chaveirinho ridículo pra dar de presente. HEIM?? FALA A VERDADE!!!
— Comprei sim, e daí? Vai que eu vou lá e compro um super presentão e EU é que recebo um chaveiro. Como é que fica???? HEIM??!! Pelo menos se eu ganhar um chaveiro a gente termina empatado.
— Ai, Osório. Você me mata de vergonha!
— Bah! Quer saber de uma coisa? Eu é que não vou ficar esquentando a cabeça. Eu vou é dar essa droga de chaveiro, mesmo e pronto. Não quero nem saber. Se aceitar beleza, senão foda-se.
— E quem é o "sortudo" que vai ganhar esse "presentão"?
— Nem sei direito. Não conheço o nome de todo mundo. É um tal de Aníbal Shigav, Shicut... algo desse tipo...
— Jesus, e como é que você vai entregar o presente pro seu amigo se nem sequer sabe quem ele é?
— Ah, chega lá eu falo "meu amigo é o Aníbal" e pronto. Duvido que tenha dois Aníbals trabalhando no mesmo lugar.
A conversa é interrompida pelos gritos de uma mulher que, em cima de uma cadeira, convoca os presentes para começarem a revelação.
— GEEEEENTE!!! GEEEENTE!!! VAMOS REVELAR O AMIGO SECREEEETO!! VEM LOOOOOGO, GEEEENTE!!
As pessoas foram se reunindo entre brincadeiras e sorrisinhos, alguns arriscavam tentar adivinhar quem o colega tinha tirado, outros ficavam comparando o tamanho dos pacotes. Depois de uns 5 minutos formou-se um grande círculo reunindo todos os participantes. — GEEEENTE. SILÊÊÊÊNCIO, VAMOS COMEÇAR! SILÊÊÊÊÊNCIO!
O barulho foi diminuindo aos poucos, até que todos ficaram em silêncio. Novamente a mulher toma o comando.
— Olha, pra não ficar aquela bagunça de "quem começa? quem começa?", vamos fazer igual ao ano passado. Afinal, nada mais justo do que deixar o início da brincadeira para o Presidente da Empresa. Não é mesmo? Então, Vamos lá. Senhor ANÍBAL SHINASKI, pode vir pro meio.
Todos aplaudiram e gritavam, menos Osório. O nome não deixava dúvidas, Neide foi quem se manifestou primeiro.
— Osório, será que esse é o seu...
— É, parece que é!— Ai, que vergonha, que vergonha...
Um frio correu pela espinha de Osório. Pela primeira vez começou a dar razão à esposa, deveria ter comprado um presente mais bonitinho.
Logo em seguida, o senhor Shinaski deu início à revelação.
— Bom, como vocês sabem eu não sou de falar muito, então não vou ficar enrolando. Fiquei muito feliz em ter tirado essa pessoa como amigo secreto, principalmente porque ela é nova na casa, então me sinto honrado em ter a oportunidade de dar as boas vindas e desejar um futuro brilhante dentro da nossa empresa. É com muita satisfação que revelo meu amigo secreto, o senhor OSÓRIO DA SILVA.
Se antes o frio passou pela espinha, agora ele percorreu o corpo todo. Osório engoliu seco. Por essa ele não esperava. Ter que dar um chaveiro para o homem que tinha acabado de lhe contratar. O Presidente da Empresa. Pela primeira vez na vida torceu pra ganhar um presente chinfrim de amigo secreto. Mesmo sabendo que mais chinfrim que o seu, era praticamente impossível. Levantou bem lentamente, parecia que tinha chumbo nas pernas. Ainda no meio do caminho olhou pra trás e viu Neide, com as duas mãos tapando o rosto. Chegou até o senhor Aníbal, exibiu um sorrisinho amarelo, deu-lhe um abraço e pegou o presente de suas mãos. Todos começaram "ABRE! ABRE! ABRE! ". Osório torceu pra sair alguma brincadeira besta do pacote e no final o presente ser uma cueca, um par de meias ou coisa do tipo. Abriu. Era um belo par de sapatos. Coisa fina, couro legítimo. Provavelmente era importado. Todos soltaram um "Óóóóóóhh" com olhos cheios de admiração e inveja. Osório deu uma olhadinha para o lugar aonde Neide estava sentada, mas não tinha mais ninguém lá. Agradeceu ao senhor Aníbal fazendo um gesto com a cabeça, ainda exibindo o sorrisinho amarelo. Agora era a sua vez, teria que dar seqüência à brincadeira. Já sabia o que estava por vir. Um pensamento otimista lhe veio à mente. Tudo poderia parecer muito engraçado, uma grande piada, e terminar com todos rindo do presentinho ridículo que Osório tinha comprado. Mas logo a realidade vinha à tona. Puxa vida, o cara tinha dado um sapato caríssimo e iria receber um chaveirinho em troca. Quem vai rir de uma coisa dessas???
— Errrrr....meu amigo sec...creto.... errr... gosto muito e... cof cof...ele é...errr ...o senhor ANÍBAL.
Novamente todos aplaudiram, alguns gritavam "É MARMELADA! É MARMELADA!" não acreditando em tamanha coincidência. O senhor Aníbal chegou perto, deu um abraço em Osório e recebeu de suas mãos uma caixinha embrulhada num papel barato. Novamente todo mundo começou "ABRE!ABRE". Na cabeça de Osório o coro "NÃO ABRE! NÃO ABRE!". Chegou até a pensar em algum milagre, vai que o homem abre a caixinha e encontra um relógio de ouro no lugar do chaveirinho. Fechou os olhos e fez um pensamento positivo. O senhor Aníbal finalmente abriu a caixinha mas, ao que parece, o pensamento de Osório não foi tão positivo assim.
O silêncio tomou conta do lugar, ninguém acreditava no que estavam vendo. A única coisa que se conseguia ouvir era um som baixinho de choro, lá no fundo do salão. Era Neide, que acompanhava tudo de longe. Se existia algum tipo de respeito do senhor Aníbal para com Osório, tinha terminado ali. Dava pra ver nos olhos do homem, que segurava seu presente entre o polegar e o indicador. Uma mistura de decepção e raiva. Então era isso que ele significava para o Osório? Um chaveirinho do corinthians?! Ainda mais ele, que era palmeirense roxo. O valor já nem era tão importante. A coisa ficou parecendo um grande deboche, uma desafronta.
E pensar que Osório ainda estava cumprindo período de experiência dentro da empresa. Mil e quinhentas pessoas prontas pra tomar o seu lugar, só esperando um pequeno vacilo. E não havia dúvidas que aquela situação ERA um vacilo. Precisava pensar em algo, rápido. Seu futuro estava em jogo.
Senhor Aníbal dirigiu o olhar para Osório. O olhar dele não mentia, era como se tivesse escrito na testa, em letras garrafais "O que significa esse maldito chaveiro?" Ficou um tempo encarando Osório, esperando uma explicação. Osório sabia que em questão de segundos, caso não se manifestasse, o homem tomaria a iniciativa e começaria a falar. Se isso acontecesse, seria o fim. Foi quando colocou a mão no bolso, estava ali, sua salvação, bem firme entre os seus dedos.
— TCHÃRÃÃÃÃMM!!!!!!
Pronto, caso encerrado. Muita gente ficou confusa, mas ninguém poderia condená-lo. Depois de tanto tempo ainda se pergunta se fez a coisa certa. No fundo acredita que sim, afinal, já são cinco anos dentro da mesma empresa. No meio de conversas miúdas ficou sabendo que logo na primeira semana após a festa, o senhor Aníbal se desfez do chaveirinho do corinthians. Já o Gol bolinha, não. O Gol bolinha é seu companheiro inseparável nas visitas que faz à chácara nos finais de semana.
O que estava em jogo ontem não era a prorrogação ou não da Contribuição - instalada pelo Farol de Alexandria e prorrogada até 2002, quando Lula assumiu e PSDB/DEM tiveram que fazer as vias de oposição.
Oposição é fundamental em qualquer Governo, mas tem que ser coerente, responsável. Atenta aos atos governamentais e pronta para debater idéias, discutir propostas e quando necessário denunciar atos ilícitos e irregularidades.
No entanto, a oposição ao Governo Lula só se preocupa com uma única coisa, desoxigenar o presidente, que aumentou 3 pontos percentuais em sua aceitação na última pesquisa Data Folha. Eles não querem saber se vai faltar dinheiro no Orçamento já aprovado, se o beneficiário SUS vai ser prejudicado, se o assistido pelo Bolsa Família vai ter problemas. Afinal, com a não prorrogação da CPMF eles mataram dois coelhos com uma cajadada só: derrotaram o Governo e aliviaram a barra dos amigos empresários.
"Convencionaram uma quantia. Na saída, o milionário concluiu:
- Tome nota: sua mulher o trairá.
No caminho do escritório para casa, aquilo não lhe saiu da cabeça. Súbito, extinguiu-se na sua alma a alegria do dinheiro. Voltou do portão e foi, de bar em bar, embriagando-se. Chegou em casa, trocando as pernas, passada a meia-noite. Durante meia hora, com os olhos turvos, assistiu ao sono da esposa. Depois, apoiando-se ora numa parede ora noutra foi à cozinha: ferveu uma chaleira. Dez minutos depois, a vizinhança toda acordava com os gritos. Fernando despejara água fervente no rosto da mulher adormecida."
Do conto, O chantagista.
Independente de sua culpa ou não, o que se observou foi o grande acordo costurado nos bastidores, uma prova clara do nível de politicagem que reina em Brasília. Falou-se, ainda, que o acordo atingiria inclusive a aprovação da CPMF, outro assunto, que não está aqui para ser analisado.
De fato, a política - que deveria ser o amor dos amores, aquele que não busca para si, mas para o bem comum - está como moribunda em cama de hospital, resumindo-se à politicagem nos bastidores das Casas Legislativas, enquanto que os temas de real relevância vão sendo negligenciados.
Charge do blog É triste viver de humor.




