Peguei “Ciudad de Dios” na biblioteca. Não havia lido em português e agora parecia ser uma oportunidade de ler, mas em castellano.
Eu disse, oportunidade? Ah, foi isso que eu pensei até ler “Zé Miúdo”... Por Deus!!! É Zé Pequeno, porra!
E não conseguir ir mais além...
Eu disse, oportunidade? Ah, foi isso que eu pensei até ler “Zé Miúdo”... Por Deus!!! É Zé Pequeno, porra!
E não conseguir ir mais além...

Dois mundos: um real e um mágico. No entanto, os dois extremamente cruéis e desoladores. "El laberinto del fauno" não se trata de um filme meramente fantástico como muitos esperam. A realidade mágica não serve de escape para Ofélia (Ivana Baquero), de 13 anos, que convive com a mãe, Carmen (Ariadna Gil), grávida em estado avançado e com muitas complicações e o padrasto, Vidal (Sergi López), que é capitão fascista durante o pós-guerra na Espanha.
Ao contrário, nesse mundo mágico com fadas e faunos, a menina, que acredita-se ser uma princesa do mundo subterrâneo que fugiu a muito tempo, terá que vencer três provas para poder regressar a esse mundo mágico.
Na realidade, a jornada empreendida pela menina pode ser comparada, a grosso modo, com a luta dos rebeldes contra o capitão Vidal. São sobreviventes que, apesar de não verem muito além da dor e do desespero e não vislumbrarem uma vitória real, seguem persistindo. Esse núcleo do filme é extremamente humano e conflituoso, que cria no longa um contexto social e histórico muito rico.
Não obstante, o filme sinaliza para alternativas mais esperançosas. Num determinado momento, quando Ofélia está presa em seu quarto, a jovem diz ao fauno que não pode sair, porque “a porta está fechada” e o fauno entregando-lhe um giz mágico lhe responde “pois faça a sua própria porta”. Não faltam, ainda, aquela que se sacrifica pelo inocente, o castigo do vilão e o final feliz da protagonista.
Ao contrário, nesse mundo mágico com fadas e faunos, a menina, que acredita-se ser uma princesa do mundo subterrâneo que fugiu a muito tempo, terá que vencer três provas para poder regressar a esse mundo mágico.
Na realidade, a jornada empreendida pela menina pode ser comparada, a grosso modo, com a luta dos rebeldes contra o capitão Vidal. São sobreviventes que, apesar de não verem muito além da dor e do desespero e não vislumbrarem uma vitória real, seguem persistindo. Esse núcleo do filme é extremamente humano e conflituoso, que cria no longa um contexto social e histórico muito rico.
Não obstante, o filme sinaliza para alternativas mais esperançosas. Num determinado momento, quando Ofélia está presa em seu quarto, a jovem diz ao fauno que não pode sair, porque “a porta está fechada” e o fauno entregando-lhe um giz mágico lhe responde “pois faça a sua própria porta”. Não faltam, ainda, aquela que se sacrifica pelo inocente, o castigo do vilão e o final feliz da protagonista.

Um dos grandes romances da literatura inglesa, "Razao e Sensibilidade", de Jane Austen, explora a sutileza e ironia da sociedade no século XVIII, através das irmas Elionor e Marianne. Bonitas e inteligentes, mas antagônicas em personalidade, representam duas respostas femininas (razao e sensibilidade) à hipocrisia de um tempo quando o que mais importava eram os bens materiais e as posiçoes sociais. No entanto, apesar de reagirem de forma distinta, quando estao diante do amor, as irmas respondem aos sentimentos de forma semelhante.
Algumas citaçoes do livro:
"Nao é o momento ou a oportunidade que geram amizade e confianza, e sim, a inclinaçao de um ser a outro. Sete anos sao, talvez, insuficientes para que duas pessoas possam se conhecer, nao obstante, para outras bastam sete dias". (pág. 54)
"O triunfo de me ver vencida será acessÃvel a todos, Elionor. Os que sofrem nao podem ser tao orgulhosos e independentes como lhes pareçam (somente podem resistir ao insulto ou devolver a mortificaçao)." (pág. 154)
"Depois de tudo, Marianne, o que me parece atraente na idéia de um só amor constante, tudo aquilo que se pode dizer e imaginar de uma felicidade casada com uma só pessoa, é um sonho que nao se encaixa na realidade." (pág. 213) Aos interessados em ter o e-book de "Razao e Sensibilidade", é só clicar aqui. É necessário ter o programa E-mule instalado em seu computador.
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DADOS TÉCNICOS
TÃtulo: Sentido y Sensibilidad (lido em Castelhano)
Autora: Jane Austen
Editora: Plaza Janés
Ano da Publicaçao: 1998
ISBN: 84-01-01108-6
312 páginas
"Quando nossa inteligência nao está disposta a deixar-se convencer, encontra sempre algo onde apoiar a dúvida"
Jane Austen
Jane Austen
(Fragmento do livro "Razao e Sensibilidade", livro que está em minha cabeceira atualmente)
Até agora para mim, Isabel Allende era sinônimo de ficção. Sua capacidade de nos envolver em seu ambiente mágico com seus espÃritos, seus idiomas do coração, seus animais totêmicos, vinha me fascinando nos últimos anos. Com "Paula", no entanto, descobri a Isabel mulher, mãe, avó. A mulher lutadora, mas também cheia de contradições como todas nós mulheres.
O livro é um relato comovente, pessoal e Ãntimo. Foi escrito quando estava em Madri (Espanha) para o lançamento de Plano Infinito e sua filha, Paula, entrou em coma. Junto ao leito da filha ela começou a escrever em seu caderno de recordações suas angustias enquanto lembrava de outros momentos vividos em famÃlia.
“Escuta, Paula, vou lhe contar uma história para que quando acorde não esteja tão perdida”.
Mas o que poderia ser um mero relato num caderno, com o passar dos meses, foi se convertendo num livro revelador.
“- Porque chora? – me perguntou com uma voz desconhecida.
- Porque tenho medo. Te amo, Paula.
- Eu também te amo, mamãe...
Isso foi o último que me disse, filha. Instantes depois você delirava recitando números, os olhos fixos no teto. Ernesto e eu ficamos ao seu lado durante toda à noite, consternados, revezando a única cadeira disponÃvel, enquanto em outras camas da enfermaria agonizavam uma anciã, gritava uma mulher demente e tentava dormir uma cigana desnutrida e marcada por golpes”.
Acompanhamos essa experiência, que a própria Isabel define como de “imobilidade”.
“Passei quarenta e nove anos perseguindo metas que não me lembro, em nome de algo que sempre estava mais adiante. Agora estou obrigada a permanecer quieta e calada, por muito que corra não chego a nenhum lugar, se grito ninguém me escuta. Você tem me dado silencio para examinar minha trajetória nesse mundo, Paula, para retornar ao passado verdadeiro e ao passado fantástico, recuperar as memórias que outros esqueceram, lembrar o que nunca aconteceu e que talvez nunca acontecerá”.
********************
DADOS TÉCNICOS
TÃtulo: Paula
Autora: Isabel Allende
Editora: Plaza & Janés Editores S.A.
Ano de publicação: 1994
ISBN: 84-01-38523-7
366 Páginas
O livro é um relato comovente, pessoal e Ãntimo. Foi escrito quando estava em Madri (Espanha) para o lançamento de Plano Infinito e sua filha, Paula, entrou em coma. Junto ao leito da filha ela começou a escrever em seu caderno de recordações suas angustias enquanto lembrava de outros momentos vividos em famÃlia.
“Escuta, Paula, vou lhe contar uma história para que quando acorde não esteja tão perdida”.
Mas o que poderia ser um mero relato num caderno, com o passar dos meses, foi se convertendo num livro revelador.
“- Porque chora? – me perguntou com uma voz desconhecida.
- Porque tenho medo. Te amo, Paula.
- Eu também te amo, mamãe...
Isso foi o último que me disse, filha. Instantes depois você delirava recitando números, os olhos fixos no teto. Ernesto e eu ficamos ao seu lado durante toda à noite, consternados, revezando a única cadeira disponÃvel, enquanto em outras camas da enfermaria agonizavam uma anciã, gritava uma mulher demente e tentava dormir uma cigana desnutrida e marcada por golpes”.
Acompanhamos essa experiência, que a própria Isabel define como de “imobilidade”.
“Passei quarenta e nove anos perseguindo metas que não me lembro, em nome de algo que sempre estava mais adiante. Agora estou obrigada a permanecer quieta e calada, por muito que corra não chego a nenhum lugar, se grito ninguém me escuta. Você tem me dado silencio para examinar minha trajetória nesse mundo, Paula, para retornar ao passado verdadeiro e ao passado fantástico, recuperar as memórias que outros esqueceram, lembrar o que nunca aconteceu e que talvez nunca acontecerá”.
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DADOS TÉCNICOS
TÃtulo: Paula
Autora: Isabel Allende
Editora: Plaza & Janés Editores S.A.
Ano de publicação: 1994
ISBN: 84-01-38523-7
366 Páginas
Eu, nascida e criada no Ceará, treinada para encontrar uma sombra e um pé de planta pra me escorrar, sempre me surpreendia ao ver as imagens dos europeus estirados no sol feito lagartixa. Agora, posso dizer que é uma sensaçao única. Uma das melhores que senti. É assim: depois de um perÃodo de frio intenso, você dá de cara com um céu limpo, sem nuvens, um sol brilhando... Ai, você pára e fica quietinho, fecha os olhos e apenas sente o calor entrando devagarinho pela sua roupa, invadindo cada cantinho do seu corpo, confortando e devolvendo vida...
Os espanhóis levam mesmo a sério esta história de "Vacaciones de Semana Santa" e eu, que nao sou boba nem nada, aproveitei ao máximo esse perÃodo. Viajei pra Itália no dia 15 e por conta de ter perdido o vôo do dia 25, retornei apenas ontem à s terras de Cervantes.Foram dias intensos e até agora estou surpresa com a quantidade de experiencias que podemos ter em tao pouco tempo. Houve alegria e também stress. Sol, chuva, frio e neve. Ah, teve muita massa e, ainda, McDonalds e sanduiche de atum.
Teve caipirosca, vinho, licor, verdi, mosto, além de suco de pera. Velhos e novos amigos... Almoço de Páscoa em famÃlia e muito chocolate. Passei por Roma, Firenze, Pisa e San Marino. Viajei de ônibus, de trem e de aviao...
E consegui voltar viva. Talvez mais viva do que quando parti.

Há uns dez anos fui à Paulo Afonso (BA) e logo na entrada da hidroelétrica existia uma escultura chamda de "O Touro e a Sucuri", que simboliza o domÃnio da natureza pelo homem. Ao lado, uma estrofe do poema "Espumas Flutuantes" de Castro Alves em homenagem à Cachoeira.
Mas a verdade é que, a cada dia, nos damos conta que o homem nao exerce nenhum domÃnio sobre a natureza. Ao contrário, a natureza oferece à humanidade o que possui de melhor, desde que se seja respeitada e se aprenda a conviver com ela em harmonia. No entanto, quando a natureza demosntra seu poder e furia, o homem muito pouco pode fazer. Em alguns casos, apenas recolher os destroços.
Ontem, aqui em San Sebastián onde estou vivendo as pessoas conheceram a furia da natureza. Ondas de mais de 12 metros de altura e fortes ventos trouxeram destruiçao a boa parte da cidade. Centros comerciais, hotéis e lojas inundados; carros destroçados; o porto fechado; embarcaçoes partidas ao meio... O cenário devastador pode ser observado com certa segurança depois de três horas de um temporal que nao cessava em toda costa gipuzkoana.
"Daqui a cinco anos você estará bem próximo de ser a mesma pessoa que é hoje, exceto por duas coisas: os livros que ler e as pessoas de quem se aproximar."
Charles Jones
José Luis RodrÃguez Zapatero foi reconduzido ao cargo de Presidente de Governo da Espanha depois das eleiçoes gerais que ocorreram ontem, dia 09/03.
Apesar de ter acompanhado pouco mais de um mês e meio o perÃodo que antecedeu o processo eleitoral em si, posso dizer que a vitória do socialista se deu em parte nao à convicçao da populaçao em suas propostas, mas ao medo de que os populares voltassem ao poder.
Isso me lembrou um pouco as últimas eleiçoes no Brasil. Depois da grande festa democrática-popular que acompanhamos em 2002, parte dos brasileiros em 2006 confirmou seu voto ao candidato do Partido dos Trabalhadores por receio que os tucanos e DEMagogos voltassem a governar o PaÃs. O que me leva a crer que essa atitude desesperançada parece ressoar em todos os cantos.
Apesar de ter acompanhado pouco mais de um mês e meio o perÃodo que antecedeu o processo eleitoral em si, posso dizer que a vitória do socialista se deu em parte nao à convicçao da populaçao em suas propostas, mas ao medo de que os populares voltassem ao poder.
Isso me lembrou um pouco as últimas eleiçoes no Brasil. Depois da grande festa democrática-popular que acompanhamos em 2002, parte dos brasileiros em 2006 confirmou seu voto ao candidato do Partido dos Trabalhadores por receio que os tucanos e DEMagogos voltassem a governar o PaÃs. O que me leva a crer que essa atitude desesperançada parece ressoar em todos os cantos.
Dizem que no amor e na guerra vale tudo. Os que defendem essa idéia, o fazem pensando nas tácticas, nas estratégias para alcançar seus objetivos sejam eles sentimentais ou polÃticos. No entanto, existem outras nuances que unem o amor e a guerra e são esses matizes que o escritor donostierra, Ramón Saizarbitoria, trata em seu livro "Amor y Guerra".
Com racionalidade e uma frieza até mesmo venenosa, o autor investiga o lado mais tenso das relações: quando o amor começa a se transformar em uma luta de trincheiras e os vÃnculos de um casal se aproximam perigosamente do desencanto bélico.
"Minha esposa se chamava Flora. Decidi matá-la no dia em que, levantando a camisola até a altura da cintura, sentou-se de cavalinho e beliscou os peitinhos com a evidente intenção de agradarme".
É assim que começa essa história. O autor não faz segredo do fato que está por vir, porque o interesante não é o feito em si, mas como o nosso personagem, um cinquentão vendedor de enciclopédias, chega a essa decisão. Tampouco pondera as palavras. DaÃ, a inquietude que o livro proporciona. É uma obra rotunda e irônica que nos mostra o lado mais ácido do escritor Ramón Saizarbitoria.
***************
FICHA TÉCNICA
TÃtulo: Amor y Guerra
Autor: Ramón Saizarbitoria
Editora: Espasa Narrativa
ISBN:84-239-7952-0
Ano da publicação: 1999
238 páginas
Com racionalidade e uma frieza até mesmo venenosa, o autor investiga o lado mais tenso das relações: quando o amor começa a se transformar em uma luta de trincheiras e os vÃnculos de um casal se aproximam perigosamente do desencanto bélico.
"Minha esposa se chamava Flora. Decidi matá-la no dia em que, levantando a camisola até a altura da cintura, sentou-se de cavalinho e beliscou os peitinhos com a evidente intenção de agradarme".
É assim que começa essa história. O autor não faz segredo do fato que está por vir, porque o interesante não é o feito em si, mas como o nosso personagem, um cinquentão vendedor de enciclopédias, chega a essa decisão. Tampouco pondera as palavras. DaÃ, a inquietude que o livro proporciona. É uma obra rotunda e irônica que nos mostra o lado mais ácido do escritor Ramón Saizarbitoria.
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FICHA TÉCNICA
TÃtulo: Amor y Guerra
Autor: Ramón Saizarbitoria
Editora: Espasa Narrativa
ISBN:84-239-7952-0
Ano da publicação: 1999
238 páginas
Foi em 11 de setembro de 1973 que aconteceu. Augusto Pinochet destruiu a democracia no Chile e deu inÃcio a um perÃodo negro no PaÃs. Nesse dia, ele bombardeou o Palácio de la Moneda. Como tudo aconteceu? É isso que nos conta Óscar Soto, no livro "El último dÃa de Salvador Allende - crónica del asalto de la Moneda contada por sus protagonistas".
Soto estava no Palácio, pois era médico particular e grande amigo do então presidente Salvador Allende. Assim, pôde narrar os fatos que antecederam o golpe até o dia de sua execução de um ponto de vista privilegiado.
Logo na introdução, Soto deixa claro que o livro não é neutro. Ao contrário, "está comprometido com as batalhas de um povo consciente, que se esforá por ser livre e soberano e ganhar, no futuro, o direito a decidir se destino". Segundo ele, o livro é um testemunho e, também, uma denúncia da traiçao de Pinochet. Diz, ainda, que o livro se publica na Espanha porque acredita que tinha que ser num ambiene de liberdade de pensamento e tolerancia, coisa que ainda nao existe no Chile.
Apesar de médico por formação, Soto consegue desenvolver uma narrativa envolvente e dinâmica, além de emocionante carregada de recordações.
Hortensia Bussi, esposa de Salvador Allende, assina a apresentação do livro.
********************
FICHA TÉCNICA
TÃtulo: El último dÃa de Salvador Allende - crónica del asalto al palácio de la Moneda contada por sus protagnistas
Autor: Óscar Soto
Editoras: Ediciones El PaÃs y Grupo Santillana de Ediciones
ISBN: 84-03-59387-2
Número de páginas: 281
Ano da publicação: 1998
Soto estava no Palácio, pois era médico particular e grande amigo do então presidente Salvador Allende. Assim, pôde narrar os fatos que antecederam o golpe até o dia de sua execução de um ponto de vista privilegiado.
Logo na introdução, Soto deixa claro que o livro não é neutro. Ao contrário, "está comprometido com as batalhas de um povo consciente, que se esforá por ser livre e soberano e ganhar, no futuro, o direito a decidir se destino". Segundo ele, o livro é um testemunho e, também, uma denúncia da traiçao de Pinochet. Diz, ainda, que o livro se publica na Espanha porque acredita que tinha que ser num ambiene de liberdade de pensamento e tolerancia, coisa que ainda nao existe no Chile.
Apesar de médico por formação, Soto consegue desenvolver uma narrativa envolvente e dinâmica, além de emocionante carregada de recordações.
Hortensia Bussi, esposa de Salvador Allende, assina a apresentação do livro.
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FICHA TÉCNICA
TÃtulo: El último dÃa de Salvador Allende - crónica del asalto al palácio de la Moneda contada por sus protagnistas
Autor: Óscar Soto
Editoras: Ediciones El PaÃs y Grupo Santillana de Ediciones
ISBN: 84-03-59387-2
Número de páginas: 281
Ano da publicação: 1998
As manchetes dos jornais espanhóis e, certamente, os de todo o mundo estampam a “retirada” de Fidel Castro do Governo cubano. Começam as especulações sobre a “transição”, debates sobre o possÃvel modelo a ser adotado, talvez o Comunismo de Mercado, utilizado na China... Todo esse alvoroço da mÃdia me surpreende porque o Comandante já estava retirado desde que sentiu a debilidade de sua saúde. Além disso, o que significa “retirar-se”?
Quero dizer que a sensação que tenho é de que Casto desde que se afastou e deixou seu irmão Raul no poder interinamente já dava inÃcio à “transição”. Uma transição a seu modo, ou seja, dirigida por ele à distância. Um processo que segue. Talvez, vislumbramos agora uma segunda etapa desse afastamento, agora não apenas fÃsico, mas institucional.
De todos os modos, é difÃcil para eu imaginar que Fidel se permitisse estar à margem de qualquer processo em Cuba, quanto mais um processo de mudança. Assim que percebo os acontecimentos como dentro de uma estratégia do Comandante.
Quero dizer que a sensação que tenho é de que Casto desde que se afastou e deixou seu irmão Raul no poder interinamente já dava inÃcio à “transição”. Uma transição a seu modo, ou seja, dirigida por ele à distância. Um processo que segue. Talvez, vislumbramos agora uma segunda etapa desse afastamento, agora não apenas fÃsico, mas institucional.
De todos os modos, é difÃcil para eu imaginar que Fidel se permitisse estar à margem de qualquer processo em Cuba, quanto mais um processo de mudança. Assim que percebo os acontecimentos como dentro de uma estratégia do Comandante.

Realismo mágico e aventura. A cada novo livro, a chilena Isabel Allende consegue utilizar esses dois ingredientes com maestria. Em “La ciudad de las bestias”, a autora nos apresenta Alexander Cold, um adolescente americano de 15 anos, que parte ao Amazonas com sua avó, a jornalista Kate Cold, em busca de uma besta gigante que tem assustado os moradores do local. Lá, Alexander conhece a brasileira Nadia Santos, garota de 13 anos que se converte em sua melhor amiga e companheira nessa aventura que empreendem num mundo desconhecido, cheio de magia.
Os garotos conhecem um poderoso chama indÃgena, visitam a Cidade das Bestas, e tornam-se amigos do “povo da neblina”, uma tribu indÃgena que tem o poder de tornar-se invisÃvel e assim, tem se mantido a milhares de anos longe dos homens brancos e mantido suas traduções.
“La ciudad de las bestias” é o primeiro livro de uma trilogÃa. O segundo é “El Reino del Dragón de Oro”, o qual já falamos aqui.
Trecho escolhido:
“Aos pés do tepui, percebeu que a vida estava cheia de surpresas. Antes, não acreditava no destino, parecia-lhe um conceito fatalista, acreditava que cada um era livre para viver como quisesse e ele estava decidido a fazer algo bom da sua, a triunfar e ser feliz. Agora, tudo isso parecia absurdo. Já não podia confiar somente na razão, tinha encontrado o território incerto dos sonhos, da intuição e da magia. Existia um destino e à s vezes teria que se lançar à aventura e sair improvisando de qualquer jeito, tal como havia feito quando sua avó lhe lançou à água aos quatro anos e teve que aprender a nadar. Não tinha mais remédio que mergulhar nos mistérios ao seu redor”. (Pág. 188 - Tradução minha)
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Os garotos conhecem um poderoso chama indÃgena, visitam a Cidade das Bestas, e tornam-se amigos do “povo da neblina”, uma tribu indÃgena que tem o poder de tornar-se invisÃvel e assim, tem se mantido a milhares de anos longe dos homens brancos e mantido suas traduções.
“La ciudad de las bestias” é o primeiro livro de uma trilogÃa. O segundo é “El Reino del Dragón de Oro”, o qual já falamos aqui.
Trecho escolhido:
“Aos pés do tepui, percebeu que a vida estava cheia de surpresas. Antes, não acreditava no destino, parecia-lhe um conceito fatalista, acreditava que cada um era livre para viver como quisesse e ele estava decidido a fazer algo bom da sua, a triunfar e ser feliz. Agora, tudo isso parecia absurdo. Já não podia confiar somente na razão, tinha encontrado o território incerto dos sonhos, da intuição e da magia. Existia um destino e à s vezes teria que se lançar à aventura e sair improvisando de qualquer jeito, tal como havia feito quando sua avó lhe lançou à água aos quatro anos e teve que aprender a nadar. Não tinha mais remédio que mergulhar nos mistérios ao seu redor”. (Pág. 188 - Tradução minha)
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Dados técnicos:
TÃtulo: La ciudad de las bestias
Autora: Isabel Allende
Editora: Areté
Ano da publicação: 2002
ISBN: 84-01-34166-3
299 páginas
Durante o Máster que estou fazendo em San Sebastián, España, terei que desenvolver um Projeto de Comunicação Institucional, na Diputación Foral de Gipuzkoa. Como esse projeto está relacionado com internet, web 2.0, novas tecnologias... Pensei que seria interessante criar um novo blog, o Heri neuk ere egingo nuke. Parece estranho, mas é que o nome está em Euskera, idioma co-oficial do PaÃs Vasco, e significa "Isso eu também posso fazer", exclusivo para compartilhar essa minha experiência profissional e também pessoal aqui no Velho Mundo.
Fica a dica para quem quiser conferir.
Fica a dica para quem quiser conferir.

Era criança quando José Sarney governou o PaÃs. Nunca o havia imaginado escritor, pois essa figura que guardei ainda menina persistia em minha mente com direito a faixa presidencial e a inflação galopante. Para desmistificar um pouco e conhecer o Sarney da Academia Brasileira de Letras, resolvi ler Saraminda. E como gostei do livro! Talvez seja bom não esperar muito de uma obra para estarmos livres de pré-conceitos e nos permitir a surpresa, o conhecer um outro universo.
Em Saraminda, Sarney evidencia sua capacidade em reconstituir o perÃodo histórico onde transcorre a história: o garimpo do Amapá, quando a região estava em disputa entre Brasil e Guiana Francesa, no final do século XIX. Uma terra onde o ouro brotava no meio da mata hostil e determinava a vida das pessoas. Poucos se fizeram ricos com ele como Cleto Bonfim e Clément Tamba. A maioria, morria pela sede do ouro por sangue, como dizia o capataz de Cleto, Celestino Gouveia.
Mas no meio da tristeza do garimpo surgiu Saraminda. Comprada por Bonfim por 10 quilos de ouro, essa creolé de pele negra, cabelos lisos negros, olhos verdes como esmeralda e seios da cor do ouro foi a vida e a perdição de Bonfim.
Todo livro é uma obra aberta e em Saraminda isso fica explÃcito ainda mais. Sarney com uma narração fragmentada nos leva a conhecer a história por diferentes pontos de vista, que nem ao menos sabemos se são reais ou imaginários.
Na contracapa do livro, pergunta Carlos Heitor Cony se Saraminda foi uma Capitu que provoca a dúvida justiçada pelo dono de sua carne. Que o leitor decida...
Em Saraminda, Sarney evidencia sua capacidade em reconstituir o perÃodo histórico onde transcorre a história: o garimpo do Amapá, quando a região estava em disputa entre Brasil e Guiana Francesa, no final do século XIX. Uma terra onde o ouro brotava no meio da mata hostil e determinava a vida das pessoas. Poucos se fizeram ricos com ele como Cleto Bonfim e Clément Tamba. A maioria, morria pela sede do ouro por sangue, como dizia o capataz de Cleto, Celestino Gouveia.
Mas no meio da tristeza do garimpo surgiu Saraminda. Comprada por Bonfim por 10 quilos de ouro, essa creolé de pele negra, cabelos lisos negros, olhos verdes como esmeralda e seios da cor do ouro foi a vida e a perdição de Bonfim.
Todo livro é uma obra aberta e em Saraminda isso fica explÃcito ainda mais. Sarney com uma narração fragmentada nos leva a conhecer a história por diferentes pontos de vista, que nem ao menos sabemos se são reais ou imaginários.
Na contracapa do livro, pergunta Carlos Heitor Cony se Saraminda foi uma Capitu que provoca a dúvida justiçada pelo dono de sua carne. Que o leitor decida...
Uma das principais coisas que nao compreendia quando cheguei à San Sebastián era o ritmo da cidade, que insistia em baixar suas "portas" à tarde para almoçar e descansar. Eram, para mim, 2 ou 3 horas perdidas por dia.
Somente agora, quase um mes na Espanha é que começo a entender e, principalmente, a me permitir "desfrutar", ou seja, sair do trabalho às 15h e ir comer com direito a primeiro prato, segundo prato, sobremesa e café. Almoçar sem pressa, conversar e, se fizer bom tempo, sair para algum parques ou para a praia, dar uma volta na orla e ver o bonito que é a natureza. Parar em um banco e ficar simplesmente ali, sentada, observando o movimento das pessoas, o movimento da vida.
Somente agora, quase um mes na Espanha é que começo a entender e, principalmente, a me permitir "desfrutar", ou seja, sair do trabalho às 15h e ir comer com direito a primeiro prato, segundo prato, sobremesa e café. Almoçar sem pressa, conversar e, se fizer bom tempo, sair para algum parques ou para a praia, dar uma volta na orla e ver o bonito que é a natureza. Parar em um banco e ficar simplesmente ali, sentada, observando o movimento das pessoas, o movimento da vida.

Lugares exóticos, seres mitológicos, pessoas com o poder de tornar-se invisÃveis, outras que falam e escutam com o “coração”. É assim, num ambiente cheio de mistério e fantasia, que Isabel Allende nos leva a percorrer com seus personagens em “El Reino Del Dragón de Oro”, livro que representa a segunda obra da trilogia iniciada em “La Ciudad de las Bestias”.
De fato, em “El Reino Del Dragón de Oro”, voltam a reunir-se os protagonistas do livro anterior, Alexander Cold, sua avó Kate e a amiga Nadia Santos, que vale lembrar é uma jovem indÃgena brasileira. Dessa vez, a aventura se desenrola na beleza nua e limpa das montanhas e vales do Himalaya, onde fica o Reino Proibido e seu Dragão de Ouro, que segundo dizem, é um talismã incrustado de pedras preciosas que pode prever o futuro e que mantinha a paz e o equilÃbrio da região até então. Até então porque, agora, uma organização criminosa pretende roubar o Dragão de Ouro.
No livro, me mesclam à aventura e à fantasia, a sensibilidade dos ensinamentos budistas, levando os leitores a descobrirem o valor da compaixão, da natureza, da paz, enfim, da vida.
A jornalista e escritora chilena Isabel Allende foi reconhecida mundialmente após o grande sucesso de “La casa de los EspÃritus”, livro que inaugurou uma brilhante trajetória literária e que figura como minha obra preferida. Entre outros tÃtulos de sua autoria estão: “De amor y de sombra”, “Eva Luna”, “Cuentos de Eva Luna”, “El Plan Infinito”, “Paula”, “Afrodita”, “Hija de la Fortuna”, “Retrato em Sépia”, “La Ciudad de las Bestias” e “Mi Pais Inventado”.
De fato, em “El Reino Del Dragón de Oro”, voltam a reunir-se os protagonistas do livro anterior, Alexander Cold, sua avó Kate e a amiga Nadia Santos, que vale lembrar é uma jovem indÃgena brasileira. Dessa vez, a aventura se desenrola na beleza nua e limpa das montanhas e vales do Himalaya, onde fica o Reino Proibido e seu Dragão de Ouro, que segundo dizem, é um talismã incrustado de pedras preciosas que pode prever o futuro e que mantinha a paz e o equilÃbrio da região até então. Até então porque, agora, uma organização criminosa pretende roubar o Dragão de Ouro.
No livro, me mesclam à aventura e à fantasia, a sensibilidade dos ensinamentos budistas, levando os leitores a descobrirem o valor da compaixão, da natureza, da paz, enfim, da vida.
A jornalista e escritora chilena Isabel Allende foi reconhecida mundialmente após o grande sucesso de “La casa de los EspÃritus”, livro que inaugurou uma brilhante trajetória literária e que figura como minha obra preferida. Entre outros tÃtulos de sua autoria estão: “De amor y de sombra”, “Eva Luna”, “Cuentos de Eva Luna”, “El Plan Infinito”, “Paula”, “Afrodita”, “Hija de la Fortuna”, “Retrato em Sépia”, “La Ciudad de las Bestias” e “Mi Pais Inventado”.
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